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sexta-feira, 18 de março de 2011

Fuga

O mundo está se afogando no lixo dos seus próprios habitantes, e esses, forçados, são sugados pelo ralo, deixando um último suspiro de angústia ecoando pelo degradado ecossistema que ainda nos resta. E o aviso paira em torno de todos, no entanto, os humanos, seguindo sua natureza, ignoram; até que o último aviso se torne inútil e a esperança se esvaneça, o mundo sucumbirá.

(Valéria Coelho)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Real ou imaginação?

Se em meus sonhos eu apenas pudesse acariciar-te, roçar-lhe os lábios ou usufruir do seu perfume, eu clamaria pela minha volta à realidade, pois meus ouvidos sucumbiriam sem contemplar o som de sua voz. Meus sonhos, tão infindáveis como um fundo poço repleto de imaginação, não seriam capazes de reproduzir sua perfeição tão imperfeita. Eu não poderia sobreviver ao mundo apenas deleitando-me de um belo e robótico holograma seu.

O mundo é devorador, ameaçador e cruel demais para enfrentarmos sozinhos. No entanto, nos lugares mais sombrios, onde a presença de luz é a mais longinqua possível, nós podemos achar, bem no alto, um estreito caminho, onde no final alguém espera ansiosamente por nós...

(Valéria Coelho)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Falsa personalidade.

    As ruas estavam repletas, tanto de homens quanto de mulheres. O lugar era palco de altas conversas, discussões e, até mesmo, reencontros. No entanto, minha atenção estava exclusiva ao som baixo a abafado dos meus passos no asfalto. Absorto em meus pensamentos, quase me passa despercebida aquela grande fila em frente ao museu. As conversas e burburinhos propagavam-se por todo o lado à medida que me aproximava. Ajeitei-me atrás de uma idosa, dona de curtos cabelos grisalhos e pele enrugada, que estava na companhia de uma bela mulher, cuja aparência denunciou seu parentesco com sua companhia.
   Cercado por pessoas desconhecidas e estafantes, aguardei pouco tempo, até que o pesado rangido dos portões de madeira alcançaram meus ouvidos, seguidos de passos apressados e afobados.
    Despreocupado, pousei as mãos em meus bolsos e, dando passos calmos e firmes, desloquei-me pelos corredores fastuosos do museu, sempre atento a algo novo e interessante, ou, simplesmente, desejando encontrar um artigo tão complexo que aguçaria minha curiosidade e meu mais comprimido conhecimento de obras. Tão sorrateiros, meus olhos percorriam cada pintura com grande interesse, enquanto ignoravam a presença de várias pessoas, tornando o ar sufocante. Mas, de qualquer forma, meu vislumbro em relação àquelas artes continuou notório.
     Segui a outro corredor, onde díspares pinturas adornavam as paredes tortuosas e donas de coloração fosca amarelada. Meus olhos, como sempre curiosos, não tardaram a vasculhar cada arte, porém, do mesmo modo, notaram as pessoas ali presentes e suas reações tão divergentes quanto suas expressões.
    Minha atenção focou-se em uma família em frente a um quadro abstrato, tão semelhante a um rascunho ou um rabisco. No entanto, o patriarca admirava a beleza escondida naqueles detalhes, enquanto sua mulher e seus filhos eram donos de grande fastio. No outro lado do recinto, um grupo de alunos enfadados observava uma pintura negra, sem resquícios de outra cor, somente preto. Contudo, sua supervisora demonstrava grande conhecimento sobre obra, mas, na verdade, apenas aparentava o que não era.
    Cansado de um dia de fingimentos, revolvi voltar ao conforto de minha moradia, embora soubesse que amanhã eu presenciaria novamente tanta falsidade. Afinal, são os humanos.
 (Valéria Coelho)

P.s.: No final, acabei postando hoje, o que não era muito provável já que meus estoques de contos estão, realmente, muito escassos. No entanto, hoje recebi minha prova de redação e a ideia de postá-la me perturbou, então, pensei: "Porque não?"
Nada se opôs.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pequenas alucinações.

      Ondas quebravam na areia avermelhada da praia, onde um garoto franzino contemplava a fastuosa enseada, despertando sentimentos até então comprimidos e rejeitados.
       O garoto de pele alva e expressões tácitas era dono de pensamentos distantes, tão inalcansáveis que nem o mais magnífico dos anjos seria capaz de lê-los ou decifrá-los.
       Noite passada, tivera um sono conturbado. Sonhara com uma bela moça que lhe era desconhecida.Fora tão rápido como flashs, no entanto, guardara o inócuo brilho daqueles olhos azuis, que desfocaram todo o resto do filme,tornando-o apenas um poço de imagens vacilantes.
       Uma estranha aparição emergira das águas pacíficas, contudo, o garoto, sem demonstrar o mais fino risco de perplexidade, formou um sorriso em seus lábios ressecados, enquanto fitava aquela figura, que agora lhe era tão familiar, andando suavemente por sobre as águas em sua direção.
       Um fraco feixe de luz atingira os olhos daquela personificação feminina, ressaltando seus orbes azuis cintilantes, que acenderam uma pequena chama de esperança no garoto.
       A tão familiar figura aproximou-se dele; tão perto que fora capaz de roçar-lhe os lábios.
       Movendo a boca, tão graciosamente que podia assemelhar-se a um melódico canto, ela proferira:
      “O poder de realizar seus sonhos você possui, basta acreditar na mais pura luz”
        E tão repentina quanto surgira, sumiu, deixando para trás apenas um risco etéreo de luz.
(Valéria Coelho)

P.s: Eu redigi esse pequeno "conto" hoje (na sala de aula) no meu tempo livre. Achei interessante postá-lo, não como uma paródia ou um conto com final conclusivo, mas algo reflexivo, no entanto pode gerar díspares explicações.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Secretos pensamentos.

Os sussurros se espalham como ondas de som, me assolando.
Eu tive que fazer isso, não por mim, mas por você.
Guardo seu doce aroma na minha memória junto ao som de sua voz.
São as únicas lembranças que vão me sustentar.
Meu amor continua tão grande quanto sempre foi,
Aumenta cada vez mais, mesmo que a distância se prolongue.
Sabe o quanto é difícil te ver, mas não poder falar com você?
Meu coração aperta, sufoca e eu me perco no caminho
Fecho os olhos, mas sua imagem se forma na minha mente.
“Porque teve de ser assim?”
O ar está sendo pouco para equilibrar-me
Eu preciso de outra fonte de energia,
Mas só pode ser você.
A única coisa que me ergueria agora,
Que me sugaria da escuridão que eu mergulhei.
Sou puxada para baixo, algo insiste para que eu me afogue.
Eu imagino sua mão tocando a minha, salvando-me.
Trazendo-me para cima, onde posso respirar você.
Onde posso deleitar-me de você.
Mas são apenas ilusões, sombras do passado.
Eu me escondo na penumbra da noite, apenas observando.
Tendo a certeza que está bem.
A culpa, afinal, foi toda minha.
Eu não queria que esse sentimento evoluísse.
Mas agora nada posso fazer, apenas implorar
Sussurrar para os céus, para uma força invisível
“Por favor, não me esqueça”

(Valéria Coelho)

Entre amores e conquistas.

“Eu acredito que todas as pessoas são completas, até que apareça aquele alguém especial. Esse alguém tem algo tão bonito e bom para oferecer que depois de provar, você percebe que não pode mais viver sem. Eu também penso que não há aquela “alma gêmea”, e sim milhões de pessoas com pensamentos e personalidades diferentes e que precisam apenas de um momento certo em uma situação definida para, ao conhecer alguém, ter a certeza de que ela é a pessoa certa. Eu, quando tinha a mente ingênua e infantil, lia contos de fadas e histórias de amor verdadeiro e sempre pedia para que eu também encontrasse meu par perfeito. E eu nunca tive a realização disso. Mas então, paradoxalmente, quando eu já havia deixado de acreditar em tais bobagens e começava a pensar que eu iria ficar bem melhor sozinha, você me apareceu como uma luz no fim do túnel. No começo, era uma pequena faísca imperceptível, mas, como em toda combustão, tomou proporções tamanhas e em tão pouco tempo que agora, sem você, me vejo imersa em trevas, que me dão medo e me fazem sentir sua falta.
Sei que cometo erros, que às vezes eu posso te machucar, mas saiba que nunca tive tal intenção afinal, ainda há trechos que tenho que tatear no escuro. Portanto tenha em mente que você é para mim tudo o que eu quero e necessito e obrigada por ter sido minha luz por tanto tempo. Eu te amo demais, Igor :B”
De: Mellanie
Sei que isso é repentino, mas eu queria mudar um pouco e não me restringir só a depoimentos no Orkut :B. Bem, obrigada por esses 5 meses tão bons de namoro e por todo esse ano de amizade sincera. Eu te amo demais Igor.
AAA é e valeu Valéria por dar um espaço nesse teu blog inútil (brincadeirinha) pra sua fêmea :B eu também te amo saoisaioasio q

Contos de um internato: Conto 2

            A localização do internato é um grande mistério. Todos que tentaram fugir ou encontrá-lo acabaram desaparecendo, muitas vezes, por tanto tempo que acabavam esquecidos. Pensara eu, na época em que era um ordeiro estudante, que apenas pais severos mandariam seus filhos para um lugar que não têm o menor conhecimento, ou, deixando me levar pela imaginação, poderia afirmar que esses responsáveis foram enfeitiçados e, assim, forçados a mandar suas crias para um abismo, onde poucos têm a capacidade de sobreviver. 
             O pouco que tenho conhecimento é o fato de ser um lugar isolado e escondido, embora o tamanho seja descomunal. Conjeturo que as terras ao redor são ermas, contudo, como disse anteriormente, a única coisa sólida sobre o internato é justamente não ter nada previsível, compreensível ou estável em relação a ele. Ocupando uma vasta área, essa espelunca se encontra ao centro de uma floresta. Floresta das chuvas, assim ela fora nomeada. A origem e o motivo da escolha da nomeação me são desconhecidos. Entretanto, diante de tantos anos que perambulo por estas áreas amaldiçoadas, posso até afirmar que esse nome fora fixado há quatrocentos anos. O lugar é como um grande labirinto escuro e úmido. Diversas criaturas vivem e sobrevivem naquela floresta. Uivos, pios e rugidos são alguns dentre os vários sons que se propagam pela floresta e, assim, pelo internato também. 
               Em si não é um lugar perigoso, depende da pessoa ou da coisa, do horário... E das intenções.
3 de fevereiro.

A história desse dia é sobre Kevin Collins, um nerd do internato. Sem querer perder muito tempo, protelando sobre as características desse alienado humano,ele tinha cabelos pretos, curtos e espetados, olhos castanhos, pele pálida, espinhas dominando 70% do seu rosto, dentuço, lábios rosados, dono de um corpo franzino e magro e, para finalizar sua aparência bizarra, havia seus óculos redondos com aros pretos.
             Na realidade, Kevin nunca fora nerd, o chamavam assim por causa de sua aparência e por seu comportamento autista. Um de seus hábitos era o de escrever na carteira frases estranhas e inteligíveis.
            O horário de recolher é ás sete da noite, mas em toda a minha estadia nessa miséria, esse horário era desrespeitado por quem quisesse, ou por quem achasse conveniente. Depois das sete, todas as luzes são apagadas e todos os funcionários retiram-se. A ronda noturna no internato pelos alunos é proibida? Se não fosse, não existiria horário de recolher! Ora me compreendam, andar sozinho pelo internato à noite não é uma decisão muito inteligente e, em alguns casos pode ser a última decisão de algum idiota. Mas ninguém não dava a mínima para isso. -Será que eles eram ignorantes assim naturalmente, ou eles se esforçavam?! – Se eles não davam, não seria eu quem daria. Por mim, danem-se. Morram á vontade, contanto que não perturbem meu sossego.  Mas era isso que acontecia, afinal! Aqueles gritos à noite incomodavam e muito! Concentrar-se em algo enquanto gritos frenéticos irrompem pela noite, assolando sua mente, é impossível. O quê eu não daria para que algum deles se engasgasse enquanto estivessem gritando. Seria uma cena adorável.
               O nosso nerd, o Sr. Collins, era um dos alunos retardados que costumavam sair à noite. Por quê? Eu não fazia ideia. Tentar entender mentes, visivelmente perturbadas, de nerds rejeitados pela família não é o meu passatempo. Esse garoto sumia da minha vista ao sair dos terrenos do internato e adentrar na escuridão aterrorizante da floresta das chuvas. Ele parecia um zumbi percorrendo inutilmente as longas extensões desse lugar. E, cá entre nós, eu não vou muito com a cara de zumbis. Nada contra seres mortos-vivos, mas eu não gostava nenhum pouco desses montes de... Sei Lá.
             Estava anoitecendo, faltavam poucos minutos para que o internato se inundasse de zumbis ou retardados extremos perambulando sabe se lá para onde. A única coisa que eu realmente almejava para aquela noite, sinceramente, era o desaparecimento de alguns dessas pestes. Ó não. Não que eu seja tão maligno assim, afinal, eu não estava falando especificamente de morte. Mas me digam o que vocês, meros humanos que gastam seu tempo lendo tais narrações, fariam se parte de sua vida fosse voltada para a espionagem de vidas medíocres cujos donos nada mais são que pequenos seres nessa grande dimensão? Talvez, vocês não entendam, aliás, é muito cedo para entenderem.
            Como eu previra, ou melhor, como era mais óbvio, os alunos estavam saindo da segurança de seus dormitórios para se aventurarem além de seus próprios medos e de suas próprias imaginações. O internato, ás vezes, presenteava alguns desses aventureiros inconseqüentes com memórias e experiências, que nenhum outro humano seria capaz de compreender ou acreditar. Mas fora escolha da peste querer sair quando era logicamente perigoso. O que fazer, não é?
            Avistei aquele nerd passando pelo grande portão de saída. Aquele imbecíl conseguira percorrer todo aquele caminho sem chamar minha atenção. Talvez eu tenha me entretido demais em meus pensamentos.  O não tão inteligente Sr. Collins voltara para aos terrenos do internato. A fim de quê? Eu não fazia a mínima ideia. Esse garoto era estranho e macabro. Ele aproximou-se da velha fonte que ocupava uma pequena área mais afastada do internato. No caminho, esse idiota sem cérebro do Collins andava feito um retardado, sem querer ofender as pessoas retardadas, é claro. Mas o garoto andava tropeçando em tudo, como se a dor não o atingisse de forma alguma. Ele deve ter esbarrado em umas cinco árvores e umas... Cinco mil pedras! Na parte do tornozelo, sua calça estava encharcada de sangue. Enquanto, seu nariz sangrava consideravelmente. O tempo estava frio, a neblina estava espessa e sufocante. Um belo clima para mortes. Kevin começara a tossir freneticamente, bom, eu até preferia que ele fizesse tal movimento, pelo menos o garoto parecia mais vivo, e não um robô sem reações. O coração dele parecia martelar, parecia que saltaria de dentro do próprio corpo. Não sei o que aconteceu naqueles cinco milésimos que esse perdedor passou fora dos terrenos do internato, mas eu queria muito saber, adoraria saber quem foi o feliz desgraçado que provocaria a morte desse nerd imbecil.
              Quanto mais chegava próximo á fonte, o Sr. Collins acelerava o passo ainda mais, como se sua vida dependesse da água imunda da fonte. Seus óculos já haviam sido deixados para trás quando a pouco tropeçara em uma pedra e caíra com tudo no chão. A esta altura, o jovem Kevin já estava com uma aparência bizarra. Seus olhos adquiriram uma coloração avermelhada, refulgiam como duas tochas ardentes. A fonte começara a brilhar à medida que Kevin aproximava-se e, então, sem demonstrar hesitação, ele mergulhara na fonte. Uma forte explosão de poeira formara-se, propagando um forte odor pútrido, enquanto as roupas amarfanhadas do nerd voavam pelos ares, sendo levadas pelo vento juntamente a seus restos mortais. Kevin Collins fora reduzido a pó.
             Admito, diante de tal episódio, que fiquei decepcionado e deveras surpreso. Eu esperava mais! Estava ansioso por algo que me causasse imensa consternação. Mas não, ele somente virou pó. Mas não me conformei, procurei vestígios de algo mais emocionante. Eu tinha esperanças de ter algo profano escondido nas entrelinhas, aguardando para ser descoberto e, assim, deleitar-me de algo esdrúxulo.
            Próxima a fonte, no caminho ensanguentado deixado por Collins, encontrei um colar, dono de uma opulência que me deixara malicioso. Estava recoberto pelo pó de Collins juntamente a seu sangue coagulado, no entanto, tais “adornos” não diminuíram o fastuoso desenho do colar: Uma bela Náiade, descansando sua beleza sobre uma pedra de cristal. Atrás do objeto pomposo estava a inscrição: “Se me perturbares, cometendo um ato ímpeto, com a morte ou a doença lhe matareis e, assim, desaparecerás desse mundo de uma vez.”
          Meus instintos aguçados me fizeram descobrir que os terrenos desse internato eram casa de criaturas incríveis e, pelo jeito, bastante vingativas. Consegui finalmente desmascarar o mistério daquele nerd! No fim, Collins eram realmente um nerd por saber que essa espelunca abrigava Náiades e por descobrir perfeitamente sua localização, o que explica as frases, ou melhor, coordenadas inteligíveis nas carteiras. Mas, por conseguinte, Collins fora muito ambicioso e cometera um ato que enfurecera tais criaturas imponentes, estas, revidando, colocaram o colar sob poder de Kevin, que fora enfeitiçado e, assim, levado a uma morte digna de vingança.
            Bela história no final das contas.
            O que aconteceu com o colar? Eu pensei que seria altamente conveniente eu guardá-lo. Seria um ultraje deixá-lo jogado na grama embolorada do internato.
(Valéria Coelho)