quarta-feira, 23 de março de 2011

Os dias atravessam a linha do tempo.
Mergulham em um mar de recordações,
E a destroem,
Deixando apenas uma vaga ilusão de que foram esquecidas.

Meu corpo sucumbe ao tempo
E minha alma cai na eternidade
Condenada a vagar por terras pútridas e esquecidas
À procura de um fiapo de esperança.

Passos secos ecoam como ondas
E a inveja me consome
Por eu não ser capaz de exercer tão ínfimo movimento.
Começo a duvidar até dos poderes da morte.

Diante de tantos encontros e desencontros,
Derrotas e vitórias.
Descobri que a felicidade está presente no lugar mais remoto,
Inalcansável, talvez.
Dentro de nós mesmos.

(Valéria Coelho)

terça-feira, 22 de março de 2011

Tempo.

Proferir as palavras:"Eu esqueci 'aquela' pessoa" pode transparecer um recomeço, uma mentira ou uma ilusão. No entanto, esquecer uma pessoa, aquela pessoa, está no patamar em que a simples menção a torna inválida. Esquecer alguém ocorre de forma lenta, sorrateira e imperceptível. O tempo torna aquela pessoa incapaz de provocar quaisquer alterações em nossa vida, até mesmo, a ínfima ação de pensar que a esquecemos. Sobretudo, as pessoas necessitam afirmar que não estão mais vulneráveis; necessitam comprovar às pessoas, que a assistiram sofrer, que não estão mais a mercê; enquanto, na verdade, tentam comprovar a si mesmas.

(Valéria Coelho)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Fuga

O mundo está se afogando no lixo dos seus próprios habitantes, e esses, forçados, são sugados pelo ralo, deixando um último suspiro de angústia ecoando pelo degradado ecossistema que ainda nos resta. E o aviso paira em torno de todos, no entanto, os humanos, seguindo sua natureza, ignoram; até que o último aviso se torne inútil e a esperança se esvaneça, o mundo sucumbirá.

(Valéria Coelho)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Real ou imaginação?

Se em meus sonhos eu apenas pudesse acariciar-te, roçar-lhe os lábios ou usufruir do seu perfume, eu clamaria pela minha volta à realidade, pois meus ouvidos sucumbiriam sem contemplar o som de sua voz. Meus sonhos, tão infindáveis como um fundo poço repleto de imaginação, não seriam capazes de reproduzir sua perfeição tão imperfeita. Eu não poderia sobreviver ao mundo apenas deleitando-me de um belo e robótico holograma seu.

O mundo é devorador, ameaçador e cruel demais para enfrentarmos sozinhos. No entanto, nos lugares mais sombrios, onde a presença de luz é a mais longinqua possível, nós podemos achar, bem no alto, um estreito caminho, onde no final alguém espera ansiosamente por nós...

(Valéria Coelho)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Falsa personalidade.

    As ruas estavam repletas, tanto de homens quanto de mulheres. O lugar era palco de altas conversas, discussões e, até mesmo, reencontros. No entanto, minha atenção estava exclusiva ao som baixo a abafado dos meus passos no asfalto. Absorto em meus pensamentos, quase me passa despercebida aquela grande fila em frente ao museu. As conversas e burburinhos propagavam-se por todo o lado à medida que me aproximava. Ajeitei-me atrás de uma idosa, dona de curtos cabelos grisalhos e pele enrugada, que estava na companhia de uma bela mulher, cuja aparência denunciou seu parentesco com sua companhia.
   Cercado por pessoas desconhecidas e estafantes, aguardei pouco tempo, até que o pesado rangido dos portões de madeira alcançaram meus ouvidos, seguidos de passos apressados e afobados.
    Despreocupado, pousei as mãos em meus bolsos e, dando passos calmos e firmes, desloquei-me pelos corredores fastuosos do museu, sempre atento a algo novo e interessante, ou, simplesmente, desejando encontrar um artigo tão complexo que aguçaria minha curiosidade e meu mais comprimido conhecimento de obras. Tão sorrateiros, meus olhos percorriam cada pintura com grande interesse, enquanto ignoravam a presença de várias pessoas, tornando o ar sufocante. Mas, de qualquer forma, meu vislumbro em relação àquelas artes continuou notório.
     Segui a outro corredor, onde díspares pinturas adornavam as paredes tortuosas e donas de coloração fosca amarelada. Meus olhos, como sempre curiosos, não tardaram a vasculhar cada arte, porém, do mesmo modo, notaram as pessoas ali presentes e suas reações tão divergentes quanto suas expressões.
    Minha atenção focou-se em uma família em frente a um quadro abstrato, tão semelhante a um rascunho ou um rabisco. No entanto, o patriarca admirava a beleza escondida naqueles detalhes, enquanto sua mulher e seus filhos eram donos de grande fastio. No outro lado do recinto, um grupo de alunos enfadados observava uma pintura negra, sem resquícios de outra cor, somente preto. Contudo, sua supervisora demonstrava grande conhecimento sobre obra, mas, na verdade, apenas aparentava o que não era.
    Cansado de um dia de fingimentos, revolvi voltar ao conforto de minha moradia, embora soubesse que amanhã eu presenciaria novamente tanta falsidade. Afinal, são os humanos.
 (Valéria Coelho)

P.s.: No final, acabei postando hoje, o que não era muito provável já que meus estoques de contos estão, realmente, muito escassos. No entanto, hoje recebi minha prova de redação e a ideia de postá-la me perturbou, então, pensei: "Porque não?"
Nada se opôs.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pequenas alucinações.

      Ondas quebravam na areia avermelhada da praia, onde um garoto franzino contemplava a fastuosa enseada, despertando sentimentos até então comprimidos e rejeitados.
       O garoto de pele alva e expressões tácitas era dono de pensamentos distantes, tão inalcansáveis que nem o mais magnífico dos anjos seria capaz de lê-los ou decifrá-los.
       Noite passada, tivera um sono conturbado. Sonhara com uma bela moça que lhe era desconhecida.Fora tão rápido como flashs, no entanto, guardara o inócuo brilho daqueles olhos azuis, que desfocaram todo o resto do filme,tornando-o apenas um poço de imagens vacilantes.
       Uma estranha aparição emergira das águas pacíficas, contudo, o garoto, sem demonstrar o mais fino risco de perplexidade, formou um sorriso em seus lábios ressecados, enquanto fitava aquela figura, que agora lhe era tão familiar, andando suavemente por sobre as águas em sua direção.
       Um fraco feixe de luz atingira os olhos daquela personificação feminina, ressaltando seus orbes azuis cintilantes, que acenderam uma pequena chama de esperança no garoto.
       A tão familiar figura aproximou-se dele; tão perto que fora capaz de roçar-lhe os lábios.
       Movendo a boca, tão graciosamente que podia assemelhar-se a um melódico canto, ela proferira:
      “O poder de realizar seus sonhos você possui, basta acreditar na mais pura luz”
        E tão repentina quanto surgira, sumiu, deixando para trás apenas um risco etéreo de luz.
(Valéria Coelho)

P.s: Eu redigi esse pequeno "conto" hoje (na sala de aula) no meu tempo livre. Achei interessante postá-lo, não como uma paródia ou um conto com final conclusivo, mas algo reflexivo, no entanto pode gerar díspares explicações.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Secretos pensamentos.

Os sussurros se espalham como ondas de som, me assolando.
Eu tive que fazer isso, não por mim, mas por você.
Guardo seu doce aroma na minha memória junto ao som de sua voz.
São as únicas lembranças que vão me sustentar.
Meu amor continua tão grande quanto sempre foi,
Aumenta cada vez mais, mesmo que a distância se prolongue.
Sabe o quanto é difícil te ver, mas não poder falar com você?
Meu coração aperta, sufoca e eu me perco no caminho
Fecho os olhos, mas sua imagem se forma na minha mente.
“Porque teve de ser assim?”
O ar está sendo pouco para equilibrar-me
Eu preciso de outra fonte de energia,
Mas só pode ser você.
A única coisa que me ergueria agora,
Que me sugaria da escuridão que eu mergulhei.
Sou puxada para baixo, algo insiste para que eu me afogue.
Eu imagino sua mão tocando a minha, salvando-me.
Trazendo-me para cima, onde posso respirar você.
Onde posso deleitar-me de você.
Mas são apenas ilusões, sombras do passado.
Eu me escondo na penumbra da noite, apenas observando.
Tendo a certeza que está bem.
A culpa, afinal, foi toda minha.
Eu não queria que esse sentimento evoluísse.
Mas agora nada posso fazer, apenas implorar
Sussurrar para os céus, para uma força invisível
“Por favor, não me esqueça”

(Valéria Coelho)

Entre amores e conquistas.

“Eu acredito que todas as pessoas são completas, até que apareça aquele alguém especial. Esse alguém tem algo tão bonito e bom para oferecer que depois de provar, você percebe que não pode mais viver sem. Eu também penso que não há aquela “alma gêmea”, e sim milhões de pessoas com pensamentos e personalidades diferentes e que precisam apenas de um momento certo em uma situação definida para, ao conhecer alguém, ter a certeza de que ela é a pessoa certa. Eu, quando tinha a mente ingênua e infantil, lia contos de fadas e histórias de amor verdadeiro e sempre pedia para que eu também encontrasse meu par perfeito. E eu nunca tive a realização disso. Mas então, paradoxalmente, quando eu já havia deixado de acreditar em tais bobagens e começava a pensar que eu iria ficar bem melhor sozinha, você me apareceu como uma luz no fim do túnel. No começo, era uma pequena faísca imperceptível, mas, como em toda combustão, tomou proporções tamanhas e em tão pouco tempo que agora, sem você, me vejo imersa em trevas, que me dão medo e me fazem sentir sua falta.
Sei que cometo erros, que às vezes eu posso te machucar, mas saiba que nunca tive tal intenção afinal, ainda há trechos que tenho que tatear no escuro. Portanto tenha em mente que você é para mim tudo o que eu quero e necessito e obrigada por ter sido minha luz por tanto tempo. Eu te amo demais, Igor :B”
De: Mellanie
Sei que isso é repentino, mas eu queria mudar um pouco e não me restringir só a depoimentos no Orkut :B. Bem, obrigada por esses 5 meses tão bons de namoro e por todo esse ano de amizade sincera. Eu te amo demais Igor.
AAA é e valeu Valéria por dar um espaço nesse teu blog inútil (brincadeirinha) pra sua fêmea :B eu também te amo saoisaioasio q

Contos de um internato: Conto 2

            A localização do internato é um grande mistério. Todos que tentaram fugir ou encontrá-lo acabaram desaparecendo, muitas vezes, por tanto tempo que acabavam esquecidos. Pensara eu, na época em que era um ordeiro estudante, que apenas pais severos mandariam seus filhos para um lugar que não têm o menor conhecimento, ou, deixando me levar pela imaginação, poderia afirmar que esses responsáveis foram enfeitiçados e, assim, forçados a mandar suas crias para um abismo, onde poucos têm a capacidade de sobreviver. 
             O pouco que tenho conhecimento é o fato de ser um lugar isolado e escondido, embora o tamanho seja descomunal. Conjeturo que as terras ao redor são ermas, contudo, como disse anteriormente, a única coisa sólida sobre o internato é justamente não ter nada previsível, compreensível ou estável em relação a ele. Ocupando uma vasta área, essa espelunca se encontra ao centro de uma floresta. Floresta das chuvas, assim ela fora nomeada. A origem e o motivo da escolha da nomeação me são desconhecidos. Entretanto, diante de tantos anos que perambulo por estas áreas amaldiçoadas, posso até afirmar que esse nome fora fixado há quatrocentos anos. O lugar é como um grande labirinto escuro e úmido. Diversas criaturas vivem e sobrevivem naquela floresta. Uivos, pios e rugidos são alguns dentre os vários sons que se propagam pela floresta e, assim, pelo internato também. 
               Em si não é um lugar perigoso, depende da pessoa ou da coisa, do horário... E das intenções.
3 de fevereiro.

A história desse dia é sobre Kevin Collins, um nerd do internato. Sem querer perder muito tempo, protelando sobre as características desse alienado humano,ele tinha cabelos pretos, curtos e espetados, olhos castanhos, pele pálida, espinhas dominando 70% do seu rosto, dentuço, lábios rosados, dono de um corpo franzino e magro e, para finalizar sua aparência bizarra, havia seus óculos redondos com aros pretos.
             Na realidade, Kevin nunca fora nerd, o chamavam assim por causa de sua aparência e por seu comportamento autista. Um de seus hábitos era o de escrever na carteira frases estranhas e inteligíveis.
            O horário de recolher é ás sete da noite, mas em toda a minha estadia nessa miséria, esse horário era desrespeitado por quem quisesse, ou por quem achasse conveniente. Depois das sete, todas as luzes são apagadas e todos os funcionários retiram-se. A ronda noturna no internato pelos alunos é proibida? Se não fosse, não existiria horário de recolher! Ora me compreendam, andar sozinho pelo internato à noite não é uma decisão muito inteligente e, em alguns casos pode ser a última decisão de algum idiota. Mas ninguém não dava a mínima para isso. -Será que eles eram ignorantes assim naturalmente, ou eles se esforçavam?! – Se eles não davam, não seria eu quem daria. Por mim, danem-se. Morram á vontade, contanto que não perturbem meu sossego.  Mas era isso que acontecia, afinal! Aqueles gritos à noite incomodavam e muito! Concentrar-se em algo enquanto gritos frenéticos irrompem pela noite, assolando sua mente, é impossível. O quê eu não daria para que algum deles se engasgasse enquanto estivessem gritando. Seria uma cena adorável.
               O nosso nerd, o Sr. Collins, era um dos alunos retardados que costumavam sair à noite. Por quê? Eu não fazia ideia. Tentar entender mentes, visivelmente perturbadas, de nerds rejeitados pela família não é o meu passatempo. Esse garoto sumia da minha vista ao sair dos terrenos do internato e adentrar na escuridão aterrorizante da floresta das chuvas. Ele parecia um zumbi percorrendo inutilmente as longas extensões desse lugar. E, cá entre nós, eu não vou muito com a cara de zumbis. Nada contra seres mortos-vivos, mas eu não gostava nenhum pouco desses montes de... Sei Lá.
             Estava anoitecendo, faltavam poucos minutos para que o internato se inundasse de zumbis ou retardados extremos perambulando sabe se lá para onde. A única coisa que eu realmente almejava para aquela noite, sinceramente, era o desaparecimento de alguns dessas pestes. Ó não. Não que eu seja tão maligno assim, afinal, eu não estava falando especificamente de morte. Mas me digam o que vocês, meros humanos que gastam seu tempo lendo tais narrações, fariam se parte de sua vida fosse voltada para a espionagem de vidas medíocres cujos donos nada mais são que pequenos seres nessa grande dimensão? Talvez, vocês não entendam, aliás, é muito cedo para entenderem.
            Como eu previra, ou melhor, como era mais óbvio, os alunos estavam saindo da segurança de seus dormitórios para se aventurarem além de seus próprios medos e de suas próprias imaginações. O internato, ás vezes, presenteava alguns desses aventureiros inconseqüentes com memórias e experiências, que nenhum outro humano seria capaz de compreender ou acreditar. Mas fora escolha da peste querer sair quando era logicamente perigoso. O que fazer, não é?
            Avistei aquele nerd passando pelo grande portão de saída. Aquele imbecíl conseguira percorrer todo aquele caminho sem chamar minha atenção. Talvez eu tenha me entretido demais em meus pensamentos.  O não tão inteligente Sr. Collins voltara para aos terrenos do internato. A fim de quê? Eu não fazia a mínima ideia. Esse garoto era estranho e macabro. Ele aproximou-se da velha fonte que ocupava uma pequena área mais afastada do internato. No caminho, esse idiota sem cérebro do Collins andava feito um retardado, sem querer ofender as pessoas retardadas, é claro. Mas o garoto andava tropeçando em tudo, como se a dor não o atingisse de forma alguma. Ele deve ter esbarrado em umas cinco árvores e umas... Cinco mil pedras! Na parte do tornozelo, sua calça estava encharcada de sangue. Enquanto, seu nariz sangrava consideravelmente. O tempo estava frio, a neblina estava espessa e sufocante. Um belo clima para mortes. Kevin começara a tossir freneticamente, bom, eu até preferia que ele fizesse tal movimento, pelo menos o garoto parecia mais vivo, e não um robô sem reações. O coração dele parecia martelar, parecia que saltaria de dentro do próprio corpo. Não sei o que aconteceu naqueles cinco milésimos que esse perdedor passou fora dos terrenos do internato, mas eu queria muito saber, adoraria saber quem foi o feliz desgraçado que provocaria a morte desse nerd imbecil.
              Quanto mais chegava próximo á fonte, o Sr. Collins acelerava o passo ainda mais, como se sua vida dependesse da água imunda da fonte. Seus óculos já haviam sido deixados para trás quando a pouco tropeçara em uma pedra e caíra com tudo no chão. A esta altura, o jovem Kevin já estava com uma aparência bizarra. Seus olhos adquiriram uma coloração avermelhada, refulgiam como duas tochas ardentes. A fonte começara a brilhar à medida que Kevin aproximava-se e, então, sem demonstrar hesitação, ele mergulhara na fonte. Uma forte explosão de poeira formara-se, propagando um forte odor pútrido, enquanto as roupas amarfanhadas do nerd voavam pelos ares, sendo levadas pelo vento juntamente a seus restos mortais. Kevin Collins fora reduzido a pó.
             Admito, diante de tal episódio, que fiquei decepcionado e deveras surpreso. Eu esperava mais! Estava ansioso por algo que me causasse imensa consternação. Mas não, ele somente virou pó. Mas não me conformei, procurei vestígios de algo mais emocionante. Eu tinha esperanças de ter algo profano escondido nas entrelinhas, aguardando para ser descoberto e, assim, deleitar-me de algo esdrúxulo.
            Próxima a fonte, no caminho ensanguentado deixado por Collins, encontrei um colar, dono de uma opulência que me deixara malicioso. Estava recoberto pelo pó de Collins juntamente a seu sangue coagulado, no entanto, tais “adornos” não diminuíram o fastuoso desenho do colar: Uma bela Náiade, descansando sua beleza sobre uma pedra de cristal. Atrás do objeto pomposo estava a inscrição: “Se me perturbares, cometendo um ato ímpeto, com a morte ou a doença lhe matareis e, assim, desaparecerás desse mundo de uma vez.”
          Meus instintos aguçados me fizeram descobrir que os terrenos desse internato eram casa de criaturas incríveis e, pelo jeito, bastante vingativas. Consegui finalmente desmascarar o mistério daquele nerd! No fim, Collins eram realmente um nerd por saber que essa espelunca abrigava Náiades e por descobrir perfeitamente sua localização, o que explica as frases, ou melhor, coordenadas inteligíveis nas carteiras. Mas, por conseguinte, Collins fora muito ambicioso e cometera um ato que enfurecera tais criaturas imponentes, estas, revidando, colocaram o colar sob poder de Kevin, que fora enfeitiçado e, assim, levado a uma morte digna de vingança.
            Bela história no final das contas.
            O que aconteceu com o colar? Eu pensei que seria altamente conveniente eu guardá-lo. Seria um ultraje deixá-lo jogado na grama embolorada do internato.
(Valéria Coelho)

terça-feira, 8 de março de 2011

Contos de um internato: Conto 1


Nota: Esses contos são totalmente diferentes dos postados anteriormente.

1º de fevereiro.

O dia em que as aulas desse lugar repugnante começaram. Não me levem a mal por tal palavreado, no entanto, viver em um lugar indesejado por, digamos, muito tempo, não é a situação que deixa alguém amigável, muito menos gentil ou feliz.
              Uma das poucas coisas que eu tolerava era o primeiro dia de aula. Mesmo que o silêncio das férias fosse tentador, nada se comparava ao fato de ver os novos infelizes que ingressaram na escola, pelo menos, eles tinham a doce mas amarga ilusão que estudariam.
               A presença de veteranos no internato era algo muito raro e escasso. Muitos estudantes não conseguiam passar de ano e, acreditem quando afirmo que o menor problema deles eram as notas.E os felizardos que conseguiam passar nunca mais colocavam seus pés nos terrenos desse lugar, com exceção dos fidalgos cujos pais ignoravam ou rejeitavam, sendo assim, obrigados a voltarem para essa espelunca.
            Os ônibus, lotados de pestes, já entravam enfileirados pelos grandes portões de ferro do internato e, em pouco tempo, o pátio estava cheio de pequenos indesejados.
             Os sentimentos de cada um estavam visíveis em seus olhos juvenis, que demonstravam claramente seus interesses, objetivos, ou puros mimos detestáveis.
            Afastado dos outros, recostado tranquilamente em uma decrépita árvore, cuja madeira se deteriorava com ajuda de cupins altamente eficientes, estava um garoto cujos pensamentos atraíram minha atenção. Ele basicamente era um idiota, ou melhor, era dono de características de um sedutor idiota. Não só psicológicas, mas físicas também. Seus cabelos pretos, que pareciam muito grudentos no caso, e seus olhos de mesma cor, ombros largos e braços relativamente fortes, chamavam a atenção das tolas meninas, apenas fúteis, claro. O que ajudava mais em minha teoria de: “um sedutor idiota cujo cérebro não tinha mais que um neurônio funcionando” Aliás, era impossível não perceber que apenas uma coisa passava por aquela mente: Sexo.
           Pobre menina aquela que acabara de sair de um dos ônibus. Cabelos loiros, olhos castanhos, pele bronzeada, porte médio e um sorriso cativante.Apenas mais uma menina tola que não demoraria a fazer parte da história desse lugar repugnante. Essa menina, Katherine, era perseguida constantemente por aqueles olhos de luxúria, que pertenciam a Paul. Sim. Esse era seu nome.  Ele observava todos os movimentos da jovem menina, mantendo um sorriso cínico e aproveitador estampado em seu rosto, cujas expressões não escondiam suas segundas intenções.
           Em minha opinião, as intenções estavam além das segundas, variando entre terceiras, quartas e assim por diante.
          O primeiro passo daquele idiota sem escrúpulos foi o mais esperado possível. A aproximação. Eu nunca poderia imaginar forma mais imbecil de chegar a alguma garota. Da forma mais inconveniente e previsível, Paul simplesmente finge esbarrar em Katherine, fazendo a mesma derrubar seus pertences. E como em toda história boba de romance, o garoto ajuda a indefesa menina.
          -Desculpe. – Paul balbuciou. Tenho que admitir, ele é um ótimo ator. – Eu não havia visto você. – Ele completou, abrindo um sorriso descarado. Tenho que acrescentar... é um belo mentiroso também.
         -Não se preocupe. – Katherine murmurou. – Você não teve culpa. – Ela completou, juntando suas coisas do chão, sendo ajudada agora por Paul que dava inicio a seu planozinho medíocre.
          O sinal da escola tocou, avisando a presença de todos os alunos em seus respectivos dormitórios. – Femininos e Masculinos. – Paul previu que aquilo atrasaria seu pequeno plano e, com certeza, ele não aguentaria muito tempo, não conseguiria suportar tanto tempo. Ele era um monstro, ou melhor, um aproveitador sem escrúpulos.
        A cada ano, novos alunos se matriculavam nesse internato, eles podem ser qualquer um, ou... Qualquer coisa. É imprescindível saber o fato do total desconhecimento desses alunos, aliás, de alunos e professores. Desde que me recordo o diretor deste lugar miserável nunca fora fã de “enrolações”. O garoto em um ato repentino e desesperado segurou o pulso de Katherine, que já se dirigia para a grande construção principal. As expressões da menina transpareciam desentendimento e desconfiança.
            -Peço desculpas novamente. – Ele murmurou desconsertado, percebendo seu ato precipitado. – Parece que não nos apresentamos. Meu nome é Paul. Paul Oliver.
            -Tudo bem... – Ela respondeu relutante com tal situação. – Eu sou Katherine. Katherine A... – Sua fala foi interrompida pelo sinal, que tocara mais uma vez, alertando os atrasados ou os surdos; ou talvez fora apenas coincidência; sorte.
            -Antes de ir... Poderíamos nos encontrar novamente? – Perguntou Paul, insistente.
           -Acho melhor não. –Katherine murmurou, friamente. – Eu tenho que ir. – Ela acrescentou, soltando-se de Paul e distanciando-se do mesmo.
           Isso não seria o suficiente para se livrar de Paul, principalmente quando este estava tão revigorado nesse novo espaço. O ódio e a maldade começavam a tomar conta daquele idiota. Suas expressões transpareciam características assustadoras, psicopatas. Olhando Katherine ir ao longe, Paul soltou uma pequena risada cujo som era o mais maligno possível.
          Pobre Katherine.
       
           Devo ressaltar, nesse momento, que durante a noite os corredores ficavam totalmente a mercê. Não havia monitores, muito menos vigias, até porque, os antigos nunca foram encontrados, e os que, por sorte, foram... Bom, não estavam muito vivos, literalmente.
          A escuridão daqueles corredores estreitos e íngremes propagava-se por todos os lados, tendo apenas riscos da luz da lua iluminando pequenos cantos. Por vários anos aqueles corredores foram testemunhas de episódios que nem eu seria capaz de narrá-los, ou até mesmo, lembrá-los. Não se ouvia nenhum ruído, apenas sons de animais e de pegadas. A quem pertenciam essas pegadas? Vocês irão descobrir, por enquanto quero mantê-los racionais.
          O dormitório feminino estava calmo, tranqüilo, sendo inundado pelas respirações compassadas das ingênuas meninas, com exceção de Katherine, que encontrava-se inquieta naquela noite. Depois de tentativas frustradas de pegar no sono, resolvera buscar um copo d’água. Ela saiu, discretamente, do seu quarto, o 202, dando passou pequenos e leves, levando consigo uma lanterna para que conseguisse enxergar naquela escuridão.
           Coisas inesperadas aconteciam com frequência nesse internato. O motivo? Eu nunca descobri, aliás, ninguém nunca descobriu. Pode parecer sem nexo e incoerente, além de bizarro, mas devo ressaltar que esses adjetivos significam apenas meros elogios, quando relacionados a esta espelunca.
           Gritos abafados eram ouvidos, aliás, acho que eu era o único que os ouvia. O ruído desesperado provinha do armário de vassouras do corredor 21. Os primeiros nomes que devem ter imaginado como as “personagens” desse episódio foram Katherine e Paul, logicamente ela como a vítima e, ele, como o agressor. Não estou contrariando, afirmando ou negando esses fatos, só lhes aviso que nada relacionado a esse lugar é compreensível.
          Qual o final da história?
          Sinto-lhes informar que durante esse pequeno episódio, eu devo ter me distraído com outro assunto, ou outra coisa; o que causou minha perda do término desse episódio. Eu realmente estou me sentindo um belo retardado com isso.

            Dia seguinte, tempo ensolarado, céu azul e limpo, temperatura amena. Um dia normal?
           Nem nos sonhos mais otimistas.
           Esse clima não era nada normal no internato. No entanto, os alunos adoravam dias assim, por serem meros ingênuos e tolos. Era visível o sorriso estampado no rosto de alguns alunos que passeavam pelo jardim aos arredores da grande construção principal, cujas paredes eram velhas e desgastadas, deviam ser do século XIX. Muitos achariam uma construção magnífica, e ficariam horas admirando tal arquitetura, mas eu apenas acho um monte de lixo, nada que uma demolição não resolvesse.
           Os alunos, que se encontravam na entrada, estavam tão dispersos em suas atividades inúteis que não perceberam a presença de um alto homem com idade avançada, cabelos grisalhos e pele enrugada que realçavam sua idade. Ele carregava dois grandes sacos pretos, enquanto suas feições eram sérias e assustadoras. Se não me engano, esse tal homem era Joseph, mais especificamente, o jardineiro do internato, mas essa era apenas uma das muitas tarefas que ele tinha de cumprir. Qual o seu sobrenome? Não interessa, e eu mesmo não sabia; não me importava com detalhes, pelo menos, não esses. Joseph trabalhava há muito tempo no internato. Ninguém nunca soube sua idade, ou melhor, ninguém nunca soube algo relacionado a ele; alguns alunos fúteis nem percebiam sua presença, e outros, não tinham interesse em descobrir. Joseph seguiu para o portão e depositou os sacos na calçada, depois saiu para cumprir seus afazeres, sejam lá quais fossem. Admito que, um imenso sentimento curioso surgiu em mim. A minha vontade de violar aqueles sacos fez com que eu fizesse tal coisa, apesar de já saber o conteúdo.
               Qual era o conteúdo?
               Não fora muito difícil de descobrir, o sangue coagulado presente em cantos estratégicos dos sacos denunciaram rapidamente o conteúdo.
              Membros de um corpo, que, em minha opinião, eram donos de uma aparência fatídica. Algum felizardo fora esquartejado e seus pedaços, jogados em dois grandes sacos sujos.  Devo admitir que, fora um choque e tanto olhar aqueles sacos. Não. Não pelo fato dos membros ensanguentados, isso é natural de se ver. Mas sim pelo fato daqueles pedaços não pertencerem à pessoa que eu imaginava e, que era mais obvia.  Sim. Não. Não sei. Dessa vez não faço ideia do que estão pensando. O corpo dilacerado não era de Katherine, e sim de Paul. Não me perguntem como eu descobri isso. Foi nojento!Simplesmente tive uma visão muito forte para se ter em um começo de dia.
               Avistei Katherine na entrada do prédio na companhia das que deviam ser suas amigas. Um sorriso inocente estava estampado naquele rosto cínico. Uma vadia assassina, quem diria? Não sei como essa garota conseguiu matar Paul de uma forma tão brilhante, mas o fato agora era que o internato tinha a presença de uma mais nova assassina. Bom, eu disse que ela faria parte das histórias dessa espelunca, só não especifiquei em qual papel ela agiria.

(Valéria Coelho)

segunda-feira, 7 de março de 2011

Contos de um internato: Prólogo.

              É realmente sugestivo estudar em um internato. Principalmente, se for um totalmente isolado e esquecido pela sociedade. Um lugar repleto de mistérios, sendo frequentado por jovens, alguns tolos e ingênuos e outros... Bom... Nem tanto. Também, Há os esquisitos e os considerados invisíveis, mas todos com os hormônios a flor da pele. Os professores... Ah sim, Os professores. Em minha opinião, os mais interessantes. Não. Não era por causa de suas aulas nem pelo método de seu ensino. De todas as idades,de todos os jeitos e com pensamentos diferentes; eles faziam as noites  mais divertidas. Bom, isso é outra história, não demorará muito até que eu conte algo sobre isso.
               Quem sou eu? Bom, Não interessa. De onde eu vim? Muito menos. E qual o meu objetivo narrando isso? Descubram vocês mesmos. Talvez, em algum momento meu de demência e distração, vocês acabem descobrindo sentimentos, assuntos ou fatos pessoais relacionados a mim, mas lembrem-se de que nenhum deles lhes interessa e, certamente, alguns de vocês possam vir a ficar confusos e duvidosos ou, até mesmo desconfiados em relação a mim; no entanto, de qualquer forma, eu pouco me importo com a opinião de vocês. Aliás, eu nunca lhes dei motivos para confiança. Se vocês ainda quiserem ler os fatos aqui narrados por mim, sintam-se a vontade, mas aviso que não serei responsável por nenhum dano físico ou psicológico ocorrido ao decorrer de minha narração.

(Valéria Coelho)

domingo, 6 de março de 2011

Para sempre.

       O tempo estava ameno, embora os raios solares, de vez em quando, se mostrassem ardentes e intensos. Lembro-me que estava nervoso, mas não impaciente. Meus pés rebatiam no chão, fazendo um barulho irritante, demonstrando, visivelmente, minha inquietação. Devo ter levantando muitas vezes do banco de madeira do parque, pondo-me, em seguida, a andar pelas extensões do lugar, sempre à procura de algo para me distrair, ou, ao menos, me acalmar.
      Passei horas esperando até que fitasse ao longe, vindo em minha direção, uma figura feminina, cujos longos cabelos ondulados estendiam-se por sobre os seios, escondendo boa parte dos mesmos. Seu andar era leve, dono de passos curtos, mas temerosos. Seus braços entrelaçados, junto ao seu olhar, baixo e envergonhado, demonstravam sua imensa timidez.
      Aquele jeito singelo me agradava, não demorara até que um largo sorriso se sobrepusesse em meu rosto. Caminhei na direção de minha esperada companhia, para que pudesse usufruir mais tempo ao seu lado. À medida que eu me aproximava, era impossível não perceber como aquela pele macia e branquinha realçava com um simples risco de luz solar, que brilhava, tornando-a pálida.
        Finalmente a alcancei e pude deleitar-me de tanta candura. Afinal, era isso que eu mais admirava em Maria. Seu poder de propagar paz com apenas sua presença, com um olhar, com um sorriso... e, para mim, com apenas o som baixo e doce da sua respiração.
       Não me glorifico por meu passado. Não fora um dos melhores. Eu não era uma pessoa boa, muito menos gentil, pelo menos, até conhecer ela, a dona de meus sonhos, da minha mente, do meu coração... a minha dona, ou... até partir seu coração de forma repugnante.
       Entrelacei meus dedos nos de minha amada, enquanto encarava aquele sorriso reconfortador que se formava em seu rosto.
      Naquele momento, eu podia afirmar.
      Eu tinha certeza.
      Eu era o homem mais feliz do mundo.

     Lágrimas transbordam de meus olhos e ocupam meu rosto com essas lembranças.
     Não por eu não ser homem o bastante para ser forte e aguentar tudo, mas eu sou homem o suficiente para sofrer por isso, por ter perdido a única coisa que me sustentou do modo mais puro e revigorante, em toda minha vida.

    Era 11 de setembro quando aconteceu. Maria viajara para o interior de sua avó, pois essa estava enferma, dona de uma grave doença, a qual não tenho conhecimento. E Maria, claro, com todo seu amor, não deixaria sua avó ao relento sem seus cuidados.
     E, assim, Maria se foi, deixando-me sozinho, apenas com a lembrança do seu suave perfume de cerejeiras, que ficara impregnado em minha roupa ao darmos nosso último abraço. Não soubera eu, que esse abraço, realmente, seria o último.
     Fazia algumas horas desde que minha amada viajara e, estava eu, esparramado em meu sofá, encarando teto, ao mesmo tempo em que minha mente se inundava com os mais variados pensamentos e devaneios, e todos estes, por mais aleatórios que fossem, sempre mencionavam minha eterna Maria.
      Duas batidas soaram por minha casa, libertando-me de meu estado inerte. Levantei, meio atordoado, em direção à porta de carvalho e a abri, logo deixando à mostra uma pessoa inesperada, Sophie.
     -Quanto tempo. – Pronunciou aquela figura esguia, não se preocupando em esconder o sorriso malicioso de sua face. – Posso entrar?
    Simples palavras, mas que se tornaram tão repugnantes e cheias de cinismo.
    Eu poderia ter recusado.
    Eu devia ter recusado.
    Mas não o fiz.
 
    Aquela noite, eu cometi o pecado, que era tão comum em meu passado. Aquela garota, Sophie, seduziu-me de uma forma diabólica. E meu deu, o que, certamente, Maria nunca me daria, ou nunca teria coragem para dar.
    Senti-me enojado como nunca me sentira. Eu era dono de um nojo imenso por mim mesmo. Como eu pude?

      A notícia correu tão rápida como raio. Não demorou até que chegasse aos ouvidos de Maria. As suas expressões até hoje me assolam. Meu coração apertou e perdi o fôlego quando fitei tanta morbidez e tristeza no rosto de minha amada. E eu nem tinha o direito de sentir isso, já que fora eu mesmo que causara tal sofrimento.
     Todos começaram a me odiar com todas as forças possíveis, e eu não os culpava. Estavam totalmente certos. Desde aquele dia, Maria nunca mais falara comigo e eu mesmo não era dono de coragem suficiente para falar com ela. Eu não sou tão ignorante a esse ponto.

   Passados dois meses, eu estou aqui, naquele mesmo parque, onde tive a certeza que Maria era minha vida. E, agora, apesar de tudo que causei a minha amada, tenho a absoluta certeza que ainda a amo como nunca amei algo.
     Eu encarava a calçada gélida e cinzenta do parque, enquanto brincava com meus dedos, quando passos leves soaram por toda parte. Relutante, levantei meu olhar e deparei-me com a figura que menos esperava ver naquela hora, ou melhor, que não esperava mais ver.
   Maria aproximou-se de mim, com expressões tão serenas que, involuntariamente, um sorriso formou-se em meus lábios. Segui em sua direção e parei juntamente a ela.
   -Eu queria falar com você. – A voz calma e doce de Maria atingiu meus ouvidos, reconfortando-me.
   -O que você quiser. – Respondi, abobado com a visão daquele sorriso.
   Ela suspirou.
   -Eu sei que tem sido difícil... Não só para mim, mas para você também. – Ela fechou os olhos, dando a impressão de repassar um diálogo em sua mente. – Não quero que esse fato nos impeça de continuar nossas vidas. – Ela me encarou. – Eu te conheço o suficiente para reconhecer que está com a consciência pesada...
     -Maria... – Meu tom de voz saiu abafado e temeroso.
     -Eu quero livrar-lhe desse fardo. – Ela esboçou um sorriso. Mas não somente um sorriso, fora um sincero e decidido. – Esqueça o que aconteceu. Siga sua vida.
     -Você está me perdoando? – Hesitei. – É isso?
     Ela assentiu e, lançando-me um último olhar e um último sorriso, virou-se e seguiu pelo caminho de onde viera.
    E encarando-a. Encarando aquela figura, dona de todo o meu amor, eu tive, dentre tantas as certezas que eu tive ao conhecer ela...
      Que eu a perdi...
                                                                    Para sempre.

Quando Maria finalmente conseguiu livrar-se da dor que o amado lhe causou, ela também conseguiu livrar-se do amor que nutria pelo mesmo.

(Valéria Coelho)