sábado, 29 de janeiro de 2011

Constatação.


Os sonhos me perturbavam. Era uma perseguição em minha própria cama. Eu revirava de um lado para outro, ofegando, enquanto gotas de suor se formavam em minhas têmporas e percorriam pelo meu rosto até o meu pescoço. Àquela altura, eu já não sabia distinguir o real da alucinação. Antes de dormir, ou, pelo menos, deitar em minha cama e encarar o vazio, inundando minha mente de coisas vagas, eu deixara aberta a janela do meu quarto. Mas eu não me incomodava com o calor, eu apenas queria sentir aquelas correntes de ar solitárias e lutuosas acariciando minha pele, mesmo que, muitas vezes, elas recostassem de forma agressiva, tornando-se ásperas e cortantes. Aquela torturante noite se estendeu de forma inacreditável. O tempo não passava, os segundos pareciam se arrastar, como se algo os puxassem de volta para o passado, como se algo os sugassem. Eu queria acordar e fugir daquela perseguição mental, mas a realidade me assustava mais. Enfrentar aquela noite acordada e encarar aquela escuridão amedrontadora e isoladora, tendo como companhia apenas as sombras e uma fértil imaginação inútil, era torturante demais. Eu sei que os acontecimentos desse plano real são concretos e irreversíveis. Agora, eu estou entre um medo incoerente por meus dois mundos. Meus dois trágicos e sofredores mundos.
Acordei finalmente, enquanto a luz rala do sol adentrava o meu quarto, denunciando minhas expressões desgastadas e mórbidas. As imagens dos meus sonhos pareciam me assolar até agora, trazendo para a realidade a dor psicológica. Cada parte do meu corpo doía, cada osso estava debilitado. Talvez, eu estivesse doente. Encolhi-me na cama, virando-me na direção da janela, enquanto abraçava minhas pernas e fitava o céu nublado e escuro que se formava no horizonte.
A sensação de acordar sozinha corroe, queima, arde. Sentir-se solitária e isolada nesse mundo não é algo humano. Dói profundamente, como se nossa alma tivesse sido pisoteada, cremada ou esquartejada, ou melhor, como se não usufruíssemos mais de alma. Olhar para o lado à procura de uma figura paterna e materna, vasculhando o cômodo atrás de algum amigo ou irmão ou, até mesmo, tendo a doce, mas amarga ilusão de encontrar um amor.
Entretanto, não havia nada. Minha imaginação não era capaz de tornar reais meus hologramas.
Eu nunca me senti especial, como se minha existência sustentasse outras. Como se alguém esperasse ansiosamente para me ver, para conversar comigo. Como se meu sorriso ou minhas palavras fossem capazes de reconfortar alguém. Como se minha presença valesse algo. Como se minha simples respiração fosse capaz de formar um sorriso nos lábios de outra pessoa.
Eu nunca me senti única.
Eu apenas me deleitava da minha vaga presença.
Eu estava viva. É o que importa, afinal, não é? Mas, alguém me responda, o que adianta ter essa dádiva da vida se não é necessária, se não é usada, se não é idolatrada?
Eu não escolhi estar sozinha.
Eu não tive opção.
Mas, eu tive culpa.
Faz sentido? Não há porque ficar remoendo isso.
Hoje, como eu desejo brigar com meus pais; implicar com meus irmãos; discutir com meus amigos; tirar uma nota ruim e sofrer por um amor. Por que são essas coisas que puxam o ser - humano para a realidade, isso que os fazem se sentir vivos ou, até mesmo, necessários.
O que aconteceu comigo agora não importa mais. Não importa relatar os acontecimentos, porque, no final, só traria mais dor. Eu só transportaria para o papel o meu sofrimento. Entretanto, aqui estou, forçando-me a narrar isso para que as pessoas aprendam a dar valor às coisas que realmente importam, às coisas mínimas, mas que fazem toda a diferença.
(Valeria C.)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Águas e Lágrimas

    Sob o céu nublado, o vento passeava bruscamente, exaltando a grama e as folhas das árvores, assim como os longos cabelos loiros de Lucy, que em certos momentos recaíam sobre a face bronzeada da garota, inclinada levemente para baixo. Seus olhos esfumaçados estavam prestes a fechar, sem brilho. As feições delicadas da menina estavam relaxadas, sem esboçar sorriso algum. O tempo frio tornava as correntes de ar gélidas, que, ao atingirem o corpo magro de Lucy, causavam pequenos arrepios na menina, fazendo os pelos de seus braços eriçarem. A garota caminhava lentamente pela grama verdinha, enquanto uma toalha branca apoiava-se em seu ombro direito, seguindo em direção à piscina. O seu maiô preto dava um ar triste ao momento, tornando-o mais doloroso a Lucy. Ela aguentara muito tempo antes de se encontrar sozinha. Ela precisava desse tempo, aliás, ela precisava de tantas coisas, que a simples menção em necessidade a causava arrepios. Lucy não sabia ao certo o que estava sentindo, mas não gostava de ter tais sensações. Não fazia muito tempo que se mudara, estava alegre e feliz, embora tivesse deixado belos e eternos amigos na antiga cidade. Entretanto, estava aqui para mudar de vida, seguir um novo caminho.
   Era uma menina nova, cheia de sonhos e aspirações. Pelo menos, até agora tinha se dedicado ao máximo em conquistá-los, mas não era fácil, nada era. Ela sabia que a vida não a entregaria de bandeja, mas também não tinha o conhecimento que seria tão sofrido e mórbido. Dentre tantos acontecimentos que a fizeram fraquejar e ter pensamentos desistentes, ela estava cheia, sua cabeça era possuidora de tantos problemas e questionamentos. Isso a estava enlouquecendo. Queria se livrar de pelo menos um desses fatores, da dúvida que assolara seu sono desde o seu segundo dia de aula. O quanto difícil seria contar a alguém sobre seus sentimentos? Lucy não sabia. Nunca havia feito tal coisa, aliás, nunca tinha gostado realmente de alguém. Esse sentimento era tão novo, tão estranho, tão egoísta. Ela não o queria, não daquele jeito. Se pudesse expulsá-lo, com certeza o faria. Mas nada podia rebater, não controlava essas emoções involuntárias que agiam sem o consentimento de sua razão, de ser cérebro.
   Esta manhã, acordara desolada e cansada. Estava no limite, não aguentava tudo guardado. Chegara na escola tão desarrumada, com olheiras profundas e, ao observar ao longe, no corredor, aquele que tanto pensara nos últimos dias, não relutara em seguir em sua direção e despejar tudo que sentia, que sofria, que estava cheia. Depois de praticamente enxotar as palavras de sua boca, Lucy encarou o garoto, que a lançou um olhar tão errático, tão opressor. Era um misto de sensações ruins. Esse olhar provocou na garota o mesmo que uma adaga afiada penetrada com força no coração dela provocaria.
 Lucy teve de enfrentar horários e mais horários torturosos até que estivesse de volta a sua casa, a seu refúgio. E, agora estava ela, ansiando um mergulho na água gelada de sua piscina.
   Retirou a branca toalha de seu ombro, lançou contra a cadeira e a virou-se, encarando aquelas águas paradas e azuis resplandecentes. Aproximou-se da borda até que a metade de seus pés estivesse pairando sobre a água e a outra metade, apoiada no mármore da borda. E levando a ponta dos dedos da mão até os do pé, inclinou-se, dando um impulso e mergulhando piscina adentro, propagando um som pesado e leve. Passara certo tempo imersa até que subira a superfície em busca de ar, deixando os pingos de água percorrerem o perfeito contorno de seu rosto.
    Lucy passara o resto da tarde em seu recanto. E vez ou outra, mergulhava tão fundo, que seus soluços e gemidos eram abafados pela forte pressão da água. Ela estava liberando suas magóas, suas lamúrias. Estava desabafando, misturando suas lágrimas às águas da piscina. Depois dali, estaria limpa, renovada. Era hora de um novo começo.
(Valéria C.)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

E quando eu me sentir vazia, desolada, triste, estranha... Eu queria ter, ao menos, a certeza de que sempre poderei contar com você. Queria poder te abraçar. Sentir o calor do seu corpo contagiando o meu. Sentir sua respiração quente e reconfortante na minha nuca. Sentir seus braços protegendo-me de qualquer coisa, do mundo, talvez. Sentir como meu corpo reage com tanta proximidade. Mas, afinal, porque eu quero isso? Porque você é a única pessoa capaz de me trazer essas sensações. A pessoa que me motiva; a pessoa que, apesar de tudo, continua sempre viva, firme e forte nos meus pensamentos. A pessoa que eu tanto relutei em amar, mas meu coração insiste em guardar.
(Valéria C.)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Eu não odeio ninguém. Aliás, é difícil eu odiar alguma coisa. Contudo, sempre há exceção. Eu odeio quando alguém fere meu amigo, mesmo que esse alguém signifique muito para ele. Odeio quando nunca consigo fazer nada para ajudar, me sinto inválida, inútil, talvez.  Enfim, não odeio coisas materiais. Mas, odeio ter de odiar tantas sensações. Porém, quando alguém mexe com uma pessoa que eu amo. Desculpe-me. O ódio vira um elogio.

Não adianta tentar. As pessoas mudam. E nem sempre podemos reaver os momentos antigos, os velhos hábitos, as conversas engraçadas e singelas e a bela e reconfortante amizade. Podemos até continuar amigos, mas no final das contas, não foi a amizade eterna que tanto dizíamos ser. E hoje, somos apenas alguns dentre as tantas pessoas ao nosso redor, sem aquela importância passada.
(Valéria C.)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Respostas.

Não pensei nada que pudesse tornar essa situação pior, mas simplesmente a vida entra e cumpre esse dever. Sempre haverá obstáculos e recaídas, disso eu sei, mas quando acabarão? Essa rotina incessante. Esse ciclo vicioso repugnante. Essa felicidade tão almejada recompensará tanto esforço, tanto sofrimento, tanta insistência? Não sei. Não tenho as respostas. Sou apenas uma questionadora. Uma criadora eterna de perguntas. Mas e se eu começar a me preocupar em achar respostas ao invés de apenas exigi-las? Não podemos simplesmente sentar e requisitar tudo.
(Valéria C.)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Eu não controlo meus sonhos, mas mesmo assim, é realizado o meu desejo de sonhar com você todos os dias.
Você pode até tentar, persistir e insistir. Pode até descobrir o que se passa por minha mente. Mas tentar entendê-la, meu caro, é uma missão quase impossível. Requer talento, tempo e dedicação.
Não gosto de fechar meus olhos.Encarar o interior, escuro e profundo, de minhas pálpebras sempre resulta na formação de sua imagem em minha mente, junto a convicção de que você não me pertence, aliás, nunca me pertenceu.
Todos nós erramos. Isso não é segredo, mas fazer com que esse erro nunca mais ocorra, seria uma boa forma de conseguir seguir a diante.
Ás vezes me pergunto se esperar uma coisa é o certo a se fazer. Se eu não deveria desistir e encontrar algo melhor. Mas simplesmente eu acho que enquanto essas esperanças me fizerem sorrir, me fizerem bem, me sustentarem, eu vou continuar esperando.
(Valéria C.)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Frases

Você pode até criar uma imagem de mim, mas não poderá me submeter a ela.
Enquanto seu coração bate por uma pessoa, outra possui um coração batendo por você.
Quando um amor começa a trazer mais dor do que felicidade, eu começo a suspeitar que talvez nem seja mais amor.
Quando estamos em uma situação ruim, pensamos que nada pode piorar, e acontece justamente isso, talvez seja porque a vida quer nos testar, quer confirmar se somos fortes o bastante para aguentar, se somos decididos o bastante para não desistir.
(Valéria C.)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Tempo.

Eu deveria parar de pensar. Eu penso de mais. Crio hipóteses, situações e coisas do gênero. Isso enche minha mente de coisas inúteis. Não gosto. Embora, em alguns casos tenha-me vindo de forma produtiva. Imagino o quão tentador seria se eu pudesse parar de pensar demais.  Mas é claro que tal personalidade não me ajuda durante provas. Porque ai que entra o fator desvantagem! Eu penso demais em coisas que me importam. Que me perturbam. Ou que eu quero. Tanto faz. Mas ao mesmo tempo não quero me importar com tais assuntos, porém, por esse motivo, crio a mania de remoer o assunto por muito tempo.  Eu deveria, justamente, parar de escrever agora, mas sei que continuarei pensando no assunto. Afinal, porque eu redigi isso? Passar o tempo, talvez.
(Valéria C.)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Infância

      Posso afirmar que tive uma bela infância. Cheia de sonhos, aspirações, brincadeiras. Eu cometia erros, fazia coisas erradas, contudo, eu sabia que minha mãe estaria ali para me repreender e para me ensinar o correto. Eu gostava de me sujar, gostava de explorar, gostava de fazer amigos. Eu via o mundo de forma diferente. Tão estonteante. Tão magnífico. Tão perfeito. Tão... Divertido e Ingênuo. Eu usufruía cada minuto do meu dia, fazendo o que eu tinha vontade, embora algumas vezes eu me machucasse, eu tinha a certeza que eu chegaria em casa, minha mãe colocaria Mertiolate e sararia e, então, no dia seguinte eu poderia voltar a minha diversão contínua.
     Eu sorria com a simples visão do céu estrelado. Eu me impressionava com o beija-flor, batendo suas asas em uma velocidade surreal, enquanto pousava nas lindas flores do meu jardim. Eu adorava dias de domingo, quando eu acordava primeiro que meus pais e, então, eu ia acordá-los, mas antes, não me esquecia de acordar minha irmã, essa, ao contrário dos meus pais que me recebiam com um sorriso no rosto, me repreendia por ter a acordado. Mas eu não ligava. Eu sabia que depois tudo estaria resolvido.
       Eu adorava visitas de parentes, quando estes não faziam perguntas desconfortáveis. Eu era fascinada pela noite. Tentava ficar acordada ao máximo e, mesmo que estivesse cheia de sono, eu repreendia meus pais por me mandarem para cama naquela hora. Eu implicava com minha irmã por ela ter direito a certas coisas que eu não tinha, embora meus pais me explicassem o porquê, eu não conseguia entender, eu não me conformava.
          Eu temia trovões e tempestades, simplesmente achava que o mundo iria acabar. Os estrondos eram tão altos que eu chegava a tremer. Lembro quando eu acordava em plena madrugada, suada e ofegante. Acabara de ter um pesadelo e, andando pelo escuro da casa, eu seguia para o quarto de meus pais, onde estes me recebiam num conforto paternal que eu não trocaria por nada.
         Eu odiava assistir às brigas dos meus pais. Eu tinha medo. Eu me escondia para não ouvir nem ver. Contudo, depois de tudo, eu observava meus pais demonstrando amor novamente. Vendo o sorriso estampado em seus rostos, eu podia saber, eu tinha certeza que tudo estava bem.
          Lembro quando eu ficava doente. Meus pais cuidavam de mim com tanto carinho, demonstrando tanta preocupação, que eu podia sentir o conforto que isso me transmitia. Eu ficava zangada quando meus pais me proibiam de fazer alguma coisa, de ter alguma coisa, embora eu soubesse que eles só queriam meu bem.
           Odiava ter de me separar da minha mãe, quando esta me deixava na escola. A imagem do meu primeiro dia de aula continua firme em minha mente. Lembro que minha mãe acabara de me deixar aos prantos na sala de aula. Eu não queria que ela fosse. Eu achava tudo aquilo muito estranho. Eu me perguntava: “Porque minha mamãe está me deixando com essas pessoas desconhecidas?” Mas eu sabia que minha irmã estudava ali também, então, desesperada em encontrar alguém familiar, saí correndo em direção à sala de aula dela, onde, quando a vi, não hesitei em abraçá-la até que meus medos sumissem.
      Eu achava minha irmã um exemplo. Eu simplesmente achava que nada podia derrotá-la. Eu sonhava em crescer e me tornar igual a ela. Eu a admirava plenamente e, por causa disso, tentava sempre superá-la, implicando e isso a irritava profundamente. Brigávamos, tanto fisicamente quando verbalmente, mas, no fim, posso afirmar que em nenhum momento deixei de amá-la.
         Conheci amigos que participaram de momentos importantes da minha infância, mas que hoje não tenho tanto apego assim. Eu amava sair com meus pais. Lembro da primeira vez que fui a um parque de diversões de verdade. Eu olhava tudo como se não fosse desse planeta, era tão inacreditável. Aqueles brinquedos enormes e altos, girando, girando, girando. Ficava tonta só de pensar.
         Eu era ativa. Não gostava de ficar parada. Sempre queria estar fazendo algo e, eu podia estar na tarde mais tediosa que fosse, mas eu conseguia me divertir só de ter um jardim e alguns brinquedos.
         Eu amava o amanhecer. Adorava ver a vizinhança acordar. Todos se preparando para um novo dia. Adorava dar um beijo em meu pai quando este saía para trabalhar e, passava o dia todo esperando, ansiado sua volta.
         Eu amava viajar e matar as saudades dos meus primos. Brincava com eles a tarde toda até que minha mãe me chamasse. Lembro de como eu e minhas amigas fazíamos planos para quando crescêssemos. Achávamos a adolescência tão animada, tão divertida, tão tentadora. Antes eu preferia brincar ao ar livre à ficar em casa entretida em um computador. Eu achava meus pais os seres mais poderosos existentes, e o único que conseguia superá-los era Deus.
            Eu passava o ano todo ansiando pelo natal, onde aguentar acordada até meia noite era um obstáculo que, toda vez, eu, confiante, estava apta a passar. Mesmo não conseguindo, eu sabia que próximo ano eu teria outra chance. Lembro de ficar inquieta antes de dormir na véspera de natal. Eu ficava imaginando o que papai-noel traria para mim dessa vez. Lembro-me de minha mãe alertando-me de que ele só viria quando eu dormisse. E eu, ansiosa, não tardava a dormir à espera da tão esperada visita.
             Eu admirava os enfeites natalinos, as árvores de natal, e almejava, um dia, vivenciar o natal em um lugar com neve. Fim do ano era minha época predileta. Tão mágica! Eu pensava que nada de ruim podia acontecer nesse período. No ano-novo, eu superava o sono para assistir a tão estonteante queima de fogos de Copacabana. Sentada em frente à televisão, eu só levantava-me quando acabasse. E quando chegava o ano e todos ao meu redor brindavam felizes e entusiasmados, eu pensava que nada podia acabar com esse momento, que nada podia nos afetar. Aos meus olhos, minha vida era perfeita, embora, em certos momentos, eu duvidasse.
E hoje, já crescida, me pergunto: “Cadê essa magia?”
(valéria c.)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Carta.

Eu tentei esquecê-lo. Eu disse para mim mesma que ia conseguir, que apesar da dor incessante que eu estava sentindo agora, isso logo ia passar. Ia tudo ficar bem no final, eu esqueceria e criaria mais sonhos, formaria mais desejos e correria atrás dos meus objetivos. Mas simplesmente caiu a ficha que, talvez, eu não consiga fazer isso. Te deixar. As palavras doem tanto quanto meus pensamentos. Porque eu devo desistir do que eu quero agora? Talvez, eu tenha que fazer isso para ter mais sonhos posteriormente, sonhos alcançáveis. Mas e se no futuro acontecer algo semelhante? Eu vou ficar desistindo sempre? Isso me soa tão fraco, tão doloroso. Talvez, não seja o certo te esquecer, mas talvez seja o mais correto. E é assim que eu me faço a pergunta: “O que me deixa feliz?”
O homem conseguiu pisar na lua. Fato que há alguns séculos atrás era considerado loucura, uma coisa impossível, como seria capaz alguém sair da orbita terrestre? Isso era um milagre. O que me ronda é que agora conquistar seu coração me parece semelhante a viagem à lua. Aparentemente impossível, mas totalmente realizável. Caso acontecesse, eu estaria próxima as estrelas, no ponto mais alto, no êxtase da felicidade, seria um momento marcante, seria inesquecível, eu estaria voando pelo espaço, isso os dois casos tem em comum, mas há uma diferença, uma única diferença. Eu acho que visitar a lua não me traria tanta felicidade quanto ter você nos meus braços. Não me importo de deixar a lua onde ela está. Não me importo em deixá-la quieta, sozinha. Mas eu não suportaria ter que te deixar. Com você, eu não ligaria para a existência da lua, nem para a do sol, nem para a do planeta, porque sua existência é maior, sua existência me ilumina como nada nunca iluminou.
Nesse momento, acho mais fácil viajar à lua do que contar a você meus sentimentos, mas ao contrário, eu teria muito mais satisfação no último caso, mesmo que eu não receba a resposta esperada. De qualquer forma, eu posso dizer que tentei.
(Valéria C.)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Além de um olhar.

    Sentir a brisa leve e suave percorrendo por entre os cabelos e as roupas, sentir aquele sol intenso atingindo a pele, observar aquele mar imenso estendendo-se além do horizonte. Belas sensações e uma bela paisagem. Vejo você ao longe, caminhando com as calças dobradas até a altura dos seus joelhos, onde a terra avermelhada impregna. Usando aquela blusa azul, aquela de tantos momentos, onde os três botões estão abertos, denunciando seu peito definido. Seu rosto está molhado, assim como alguns fios de seu cabelo que recaem sobre sua face.
   A brisa carrega a areia leve, atingindo sua pele úmida. Como você está tão sujo, tão despreocupado, suas feições transparecem uma calmaria, um sentimento indescritível.  Seus olhos se focam em algo, reluzindo como dois diamantes, fazendo-me abrir um sorriso sincero e terno, mas quero saber o destino o qual você ruma, quero saber o que tanto chama sua atenção, causando tais reações em você. Noto seu olhar voltando-se em minha direção, assusto-me, olhando de relance para trás, mas apenas confirmando que aquele lugar só usufruía de duas presenças, a minha e a sua. Meu coração pulsa freneticamente, palpitando. Minha respiração não é a mesma, está descompassada, falha, como se qualquer movimento me tirasse dali, daquele momento. Encaro minhas mãos suadas, que tremeluziam.
     E volto a olhar para você, percebendo então que compartilha das minhas mesmas reações, assim como possuo o seu mesmo brilho nos olhos. Você se aproxima, pousando seu dedo em meu rosto, acariciando levemente minha pele. Fecho os olhos, sentindo sua energia, sua pele em contato com a minha. Minhas pernas tremem, fraquejando. O que acontecia ali? Não sei, mas nada mais importa, somente aquele momento. Não quero preocupar-me com nada, porque ali estava meu mundo, minha felicidade. Seus lábios avermelhados tocam os meus de leve, passeando, usufruindo cada toque até que o beijo se aprofundasse, misturando nossos calores e respirações.
    Talvez esse sentimento seja amor. Não tenho certeza. Não me importo muito em descobrir, para que passar tanto tempo descobrindo a teoria, se a prática é muito mais confortadora e importante? Para que passar tanto tempo definindo o amor e procurando frases que o caracterizam, se sentir é a melhor forma de entendê-lo?
   Não tenho tantas certezas na vida, mas hoje sei que ao olhar nos seus olhos, eu voltarei a esse cenário, onde cresceu o nosso sentimento, onde expandimos nossos desejos e aspirações, onde contemplamos aquela aurora, onde, segundo a sociedade, eternizamos nosso amor.
    (Valéria C.)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Conto - Uma nova história . Parte 3

       Em primeiro momento, pensou em Marina, mas a amiga estaria em um jantar de família, ou seja, estaria impossibilitada de vir a seu socorro.  O desespero e o medo já tomavam conta da menina e, sem estar mais em condições de esperar, resolveu telefonar para Dylan. O telefone chamou três vezes até que o garoto atendesse.
       -Alô? – A voz de Dylan soou questionadora e tranqüila.
       -Dylan, é você?! Ah, mas é claro que sim! O celular é seu, mas que burrice a minha. – Cathy murmurou afobada e nervosa, tanto pelo medo quanto por estar falando com o garoto que gostava.
        -Cathy? Sim. Sou eu. O que houve? Já são onze da noite. – O garoto retrucou curioso e desconfiado.
         -Ah, é uma longa história! – Cathy respirou pesadamente. – Marina insistiu pra que eu assistisse àquele filme o qual eu tanto temo! E acabei cedendo, mas como fui burra, agora essas cenas têm me perturbado de uma forma surreal. Além do mais, estão ocorrendo umas coisas macabras aqui em casa. Não sei explicar, você não acreditaria! Estou quase que desesperada. O que faço? – A menina indagava rapidamente, atropelando algumas palavras.
        - Ei, Cathy, acalme-se. – Dylan pronunciou gentilmente, embora fosse transparente o seu desinteresse. – É só um filme! Tudo isso é apenas imaginação sua. Tente dormir.  – Ele pigarreou. – Agora, realmente, preciso desligar. Fique bem, O.k.?
       -Não, não! Você não está entendendo... – Cathy tentou argumentar.
       -Boa noite, Cathy. – Ele finalizou, desligando o aparelho.
        Estática, Cathy encarou o nada em sua frente, enquanto deixava o telefone escorregar e cair no sofá. Seus olhos encheram-se de lágrimas e então, pousou as mãos no rosto, cobrindo-o. Ela encontrava-se desolada e abandonada. 
          Quanta frieza da parte de Dylan! Como ele pôde? - Perguntava-se a menina, entre soluços e gemidos abafados.
       O ruído do telefone tocando tirou a menina de seus pesares. Cathy levantou o olhar, limpando o rosto molhado com a manga de sua camisa, enquanto esticava o braço para pegar o aparelho.
       -Quem é? – Cathy murmurou rispidamente, embora deixasse transparecer resquícios de medo e tristeza.
       -Alô, Cathy? É você? – A voz na outra linha soou, deixando transparecer seu tom de preocupação. E como não teve resposta, continuou: - Eu liguei para Marina há pouco, procurando por noticias de vocês duas, mas ela havia me dito que, por um imprevisto, ela teve de ir embora.
       -Victor! – Cathy exclamou, com o tom de voz abafado pelos soluços.
       -Ei, você está bem? – Victor perguntou preocupado e desconfortável.
        -Não. Não estou bem, na verdade, estou péssima! E tudo isso por causa de um maldito filme! – Resmungou, mas logo em seguida voltou a chorar.
      -The Shining? Cathy! Não acredito que o assistiu. – O garoto repreendeu a amiga.
       -Ah, Victor. Não é hora para sermões, por favor. – Implorou Cathy. – Eu estou com medo, assustada, desesperada. – Deixou um gemido abafado escapar.
     -Espere. Estou indo para sua casa, mas tente se acalmar enquanto isso. – Victor sugeriu, e logo em seguida desligou o telefone.
       Cathy jogou o aparelho encima do sofá e encolheu-se, abraçando as pernas e apoiando o queixo no joelho. Ela fechou os olhos por um momento e expirou profundamente.
       Victor era o melhor amigo de Cathy desde o jardim de Infância. Os dois eram praticamente inseparáveis até que, na sétima série, Dylan ingressou no colégio dos dois e Cathy não tardou a se apaixonar por ele. E tal sentimento estendeu-se até o segundo ano do ensino médio. Os melhores amigos se distanciaram. Não fora uma separação drástica, mas fora o suficiente para diminuir alguns laços.   
     A campainha soando pela casa acordou Cathy de seus pensamentos, essa saiu em disparada à porta e a abriu bruscamente, deixando a mostra o corpo definido de Victor, cujos cabelos brilhosos e negros reluziam juntamente a seus olhos azuis penetrantes e a seu belo sorriso, que denunciava seus grandes dentes brancos.  A menina abraçou Victor fortemente, enlaçando seus braços ao redor do seu pescoço e apoiando-se na ponta dos pés por o rapaz ser alguns centímetros mais alto.
       -Estou aqui. – Victor murmurou, retribuindo o abraço na mesma intensidade. – Sempre estive.
        Uma brisa gélida percorreu por entre os corpos dos dois, fazendo com que Victor levasse uma Cathy tristonha para dentro. A menina estava em prantos, mas agora o motivo não era bem o mesmo de alguns minutos atrás.
       Sentados lado a lado no sofá, Cathy apoiava sua cabeça no ombro de Victor e esse mantinha seu braço envolto no corpo da garota, enquanto seu polegar massageava delicadamente a mão da amiga em movimentos circulares. Algumas lágrimas ainda escapavam pelos belos olhos verdes de Cathy, que tinham a aparência avermelhada.
      -Porque ainda chora? – Victor perguntou, desviando o olhar para Cathy.
       -Não sei.  – A menina encarou o nada em sua frente. – Estou decepcionada com Dylan, atormentada por um filme e... – Hesitou.
      -Continue. – O garoto incentivou.
       Cathy suspirou, abaixando o olhar e, logo em seguida afastou-se de Victor, sentando-se de uma forma que pudesse fitá-lo, apoiando as mãos no sofá.
       -Victor, porque nos distanciamos? – Ela questionou, fazendo com que o garoto se impressionasse com a pergunta, embora não demonstrasse surpresa.
      -Tem certeza que não sabe? – Victor indagou, arqueando uma sobrancelha.
       -Dylan?
       O garoto assentiu.
      -Mas não há motivos para que tenha sido isso. Você e eu éramos melhores amigos, aliás, ainda somos! Mas não como naquela época. – Argumentou Cathy.
     -Você estava hipnotizada por ele. – Victor indagou tranquilamente, meio conformado. – Só tinha olhos para Dylan. –Pronunciou com desdém. – Mas, embora eu não gostasse desse sujeito, eu não poderia tirar o brilho do seu olhar quando o via. Eu não podia retirar a sua alegria, a sua felicidade por um simples egoísmo meu.
      Cathy estava tão atenta a conversa que não percebeu o rumo que tal conversa estava tomando.
      -Não era egoísmo! – A menina exclamou – Você tinha razão. – Ela diminuiu o tom de sua voz. – Podia ter sido diferente, Victor. – Lamentou-se, abaixando o olhar.
      O garoto pousou uma das mãos no queixo de Cathy, erguendo o seu rosto até que os seus olhos encarassem os dele
      -Pode ser diferente.
       -Como assim? Voltaremos a ser melhores amigos inseparáveis? Continuaremos de onde paramos? – Questionou Cathy, ignorante a situação que se desenrolava ali. – Eu fui tola! Perdemos tantos anos de amizade! Não poderemos recuperar certos momentos perdidos.
      -Cathy. – Calmo, Victor indagou. – Ou podemos começar uma nova história.
       -Não se pode começar uma amizade que já começou. – Cathy tagarelava.
       O garoto balançou a cabeça negativamente, abrindo um pequeno sorriso de lado, enquanto pousava seu dedo nos lábios de Cathy, interrompendo que a amiga continuasse a retrucar diferentes hipóteses.
      -Pare de falar por um momento. – Victor murmurou, enquanto aproximava-se de Cathy e tocava seus lábios nos da amiga, selando um doce beijo.
      Todos os problemas e obstáculos de Cathy foram esquecidos pela mesma naquele momento. Não havia Dylan, filme ou tempo perdido. O momento era aquele.
      Eles se separaram e Victor fitou o sorriso sereno que se formava no rosado e belo rosto de Cathy, fazendo-o retribuir.
     -Porque eu fui tão ingênua? Tão fraca? – A garota questionou, revirando os olhos, mas sem perder o sorriso terno.
     -O destino gosta de nos pregar peças. Ele gosta de nos testar. – Victor pousou a mão no rosto da menina a sua frente, acariciando suas bochechas. – Dylan foi um empecilho, um impasse, um estorvo... – Bufou.
     -Entendemos. – Cathy interrompeu, sorrindo.
     -É só para deixar claro. – Deu de ombros, tentando demonstrar indiferença.
      A menina abaixou o olhar, suspirando.
      -Victor, eu tenho medo. – Ela fitou o garoto. – Eu tenho medo que esse sentimento, seja lá qual for que eu nutro por Dylan, volte a me perturbar.
      -Eu posso fazer você esquecê-lo. – Victor indagou. – Apenas não pode se privar da vida por causa de um amor que talvez nem exista.
      -E se não der certo?
      -Não custa tentar. – Victor abriu um sorriso descarado.

A felicidade pode estar mais perto do que imagina, basta olhar ao seu redor. Não volte sua vida para um amor não-correspondido, porque o amor verdadeiro é composto pela união de duas pessoas que se amam.
(Valéria C.)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Conto - Uma nova história . Parte 2

        Entre gritos e gemidos assustados, Cathy conseguiu sobreviver ao filme, embora ela tenha esperneado como uma criancinha para que Marina desligasse aquela tortura.
        -Eu disse que você não ia morrer! – Marina indagou alegremente, levantando-se da poltrona e espreguiçando-se.
      -Agora danos psicológicos que, provavelmente você me causou... – Cathy bufou, ainda presa a almofada, recusando-se a soltá-la.
      -Quando menos esperar você superará. – Marina seguiu em direção a amiga e, parando em frente a ela, agarrou suas mãos. – Agora vamos. Levante-se desse sofá. – Ela começou a puxá-la, mas Cathy balançou a cabeça negativamente, encostando-se no encosto do sofá. – Um dia você terá que sair desse s... – A fala de Marina fora interrompida pelo toque de seu celular. Ela soltou as mãos da amiga, retirou o objeto barulhento do bolso e encarou a tela. – Espere um pouco. É minha mãe. – Ela levou o celular ao ouvido, seguindo para a cozinha.
      Cathy percorria os olhos pela pequena sala de sua casa. Temerosa e ainda assustada observou sua gatinha deitada em uma almofada ao lado da estante da teve. “Mayu-Pronunciou mentalmente.” Cathy sentiu-se tentada a ir até sua gata, que dormia profundamente, contudo o medo a privara de se locomover. Encarou, então os brilhantes pêlos brancos de seu animal de estimação, enquanto os mesmo esvoaçavam-se devido ao vento que entrara pela janela, desviando das cortinas transparentes.
     -Péssimas noticias. – A voz de Marina soou, seguida de um suspiro, deixando transparecer aborrecimento em seu tom. Cathy, antes entretida em Mayu, fora tirada de seus devaneios e forçada a olhar para a amiga. Marina adentrou a sala, ainda com os olhos no celular, depois voltando-os à Cathy. – Minha mãe me ligou. – Ela revirou os olhos. – Praticamente, obrigando-me a ir a um jantar de família. Parece que não vou dormir aqui hoje. –Bufou – Desculpe-me. Ficará bem?
      - Sem problemas, Marina. – Cathy deu de ombros, enquanto observava a amiga do sofá. – Deixe para outro dia. Apenas não me force a algo que eu não quero novamente. – Ela apertou os lábios, deixando transparecer um pequeno sorriso de lado.
       - Tem certeza? – Marina lançou um olhar desconfiado à Cathy e, ao notar as feições relaxadas da amiga, pegou sua bolsa encima da mesa de centro da sala, colocando-a em um de seus ombros. – Tudo bem. Me liga amanhã. – Ela balançou o celular na direção da amiga, abrindo a porta e adentrando-se na noite, indo embora.

       Cathy encarou a porta, pela qual Marina acabara de sair, deixando sua mente inundar-se de pensamentos. Ela piscou os olhos três vezes e sacudiu a cabeça, expulsando as cenas do filme, que ainda circulavam por sua memória. Jogou a cabeça para trás, fechando os olhos e esvaziando a mente. Encarava o escuro profundo de suas pálpebras, quando um miado, seguido de um chiado, interrompeu seu descanso.
       A menina levantou a cabeça rapidamente, encolhendo-se no sofá e espiando, temerosa, o lugar da onde provinha o ruído. Observou Mayu andando pelo corredor em direção ao seu quarto. Cathy suspirou aliviada e decidira dormir logo. Levantou-se do sofá, deixando a almofada que segurava, desligou o interruptor e, dando passos leves e cautelosos, seguiu a gatinha branca, até que a mesma passou pela pequena brecha da porta entreaberta do quarto.
      Cathy empurrou a porta de madeira, que causara um agudo rangido, deixando a visão do seu quarto a mostra.  Uma brisa gélida atingiu o corpo jovem da menina, trazendo-a arrepios.  “Droga!Deixei a janela aberta de novo.” – Cathy pronunciou mentalmente, cruzando os braços, tentando se aquecer
       Ela percorreu os olhos pelo cômodo escuro e vazio, e ligou o interruptor, localizado próximo a porta.A luz preencheu o quarto, agora com a presença da gatinha e da menina de cabelos negros. Ainda parada no lugar entre o corredor e o quarto, Cathy voltou o olhar para a passagem a qual acabara de sair, até que seus olhos a levassem à porta do fim do corredor, onde era o quarto de seus pais.
      A menina deixou-se lembrar o quanto aquela casa ficava vazia com as viagens frequentes de seus pais, devido ao cansativo trabalho dos mesmos. Lembrava-se de quando tinha cinco anos e seus pais a presentearam com Mayu para que ela não ficasse tão solitária. Claro, surtiu efeito nos primeiros anos, mas depois com a juventude de Cathy aproximando-se, a gatinha Mayu não conseguia mais suprimir o vazio, que só podia ser preenchido por alguém humano.
      Cathy suspirou pesadamente, abaixando o olhar e voltando-se para o seu quarto. Ela soltou um gemido abafado quando pensara ter visto uma sombra locomover-se próxima a janela. Pousou a mão no peito, este subia e descia rapidamente, devido à sua respiração descompassada proveniente do grande susto.
       A menina seguiu para a janela, andando a espreita, dando passos leves e pequenos. Aproximou-se mais e então, apoiou-se no parapeito da janela, olhando atenta e cautelosa a rua, molhada e escura, escassa de qualquer presença humana. A fraca luz dos portes iluminava apenas pequenos cantos, provocando o aparecimento de beicos e espaços escuros. Cathy percorreu os olhos ao longo da rua até aonde sua visão a permitia.
        Seus pensamentos estavam longínquos, quando fora retirada de seus devaneios ao olhar, pela visão periférica, um vulto locomover-se por suas costas. Olhou de soslaio para trás, congelada e paralisada pelo medo e, se não fosse por Mayu, cujo miado a acordou de seu transe, ela ficaria um bom tempo inerte.
      Cathy voltou o olhar novamente para a paisagem além da janela, antes de fechá-la juntamente a cortina. “Sabia que não deveria ter cedido e assistido aquele filme” –Lamentou-se.
    Após ter desligado o interruptor, seguiu em direção a sua cama que, embora servisse à apenas uma pessoa, era de casal. A menina retirou o edredom, com coloração azul clara, até a metade da cama, onde se deitou, puxando novamente o objeto até que estivesse coberta até o pescoço.  Semicerrou os olhos até que os mesmos fechassem completamente, inundando a sua mente em um profundo escuro, que não demorou a ser substituído por pensamentos e devaneios, além das cenas macabras e horripilantes do filme que acabara de ver, que insistiam em perturbá-la.
     Um ruído agudo e pesado propagou-se pela casa, fazendo Cathy levantar-se apavorada da cama, encolhendo-se no edredom, enquanto o puxava para si e esmagava o tecido com as mãos. Ela esperou um pouco até que, ao menos, suas pernas obedecessem a seus comandos e parassem de tremer. Olhou de relance para o lado, onde observou Mayu em um profundo sono em sua cama confortável, cuja coloração variava em tons claros. As feições da gatinha branca eram tranqüilas, embora fossem enigmáticas. Mas também, era apenas um animal.
      Cathy abaixou o olhar, enquanto respirava pausadamente e então, levantou-se da cama, colocando os pés, protegidos pelas meias brancas, no chão gélido do quarto. Andou lentamente até a porta entreaberta do recinto, permitindo que riscos da luz do corredor adentrassem no cômodo. Ela espiou o corredor vazio, olhando para os dois lados. Confirmando que nada, além dela, estava ali, arriscou-se a andar pela passagem, dirigindo-se, mais uma vez à sala. Dando passos curtos e delicados, Cathy apoiava uma das mãos na parede branca à medida que prosseguia.
       Chegando ao cômodo escuro, a menina não tardara a acender a luz. “Preciso de um pouco de água.” – Aconselhou-se Cathy, lançando um olhar para a cozinha e seguindo em direção ao cômodo. Aproximou-se da grande geladeira prateada e, antes de abri-la, encarou uma foto, sua e de seus pais, pregada na porta. Ela percorreu os dedos pelas bordas da foto e suspirou, logo sacudindo a cabeça e voltando a si. Cathy vasculhou a parte interna da geladeira, observando as garrafas vazias, até que avistou uma jarra de vidro contendo água. A menina pegou o objeto, e em seguida fechou a geladeira, voltando-se então para a bancada, onde encontrou um copo.
          Enquanto inclinava a jarra, deixando a água escorrer para dentro do copo, um forte estrondo propagou-se pela casa, a porta de algum cômodo havia fechado bruscamente. Com o susto, Cathy deixou a jarra escorregar de suas mãos, quebrando ao chocar-se com o chão.
         Não importando-se com os afiados cacos de vidro espalhados pela cozinha, a menina saiu em disparada para a sala, onde, depois de pegar o telefone móvel encima da mesinha, jogou-se no sofá, encolhendo-se, enquanto segurava contra o corpo a almofada que usara anteriormente.
       Cathy tremia ao mesmo tempo em que fazia o telefone sacolejar em sua mão. A sua branca pele estava sem cor, seu rosto estava pálido. Ela encarou o telefone, tentando lembrar-se do número de alguma pessoa útil. [...]
(Valéria C.)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Conto - Uma nova história . Parte 1

      A noite estava bela. Embora ainda fosse cedo, a lua mostrava-se magnífica e brilhante nos céus. As estrelas reluzentes o preenchiam. O clima estava frio, contudo, com um toque ameno e reconfortante.
      -Ah, vamos lá, Cathy! Qual o problema? – Uma voz questionadora e insistente soou.
       Cathy era uma menina ativa e corajosa, porém deixava transparecer seus medos com facilidade. Nervosa, ela andava por entre os móveis da sala, enquanto refletia sobre algo, embora já estivesse decidida.
       -Não quero, Marina! Não adianta! – Cathy murmurou, desviando o olhar a fim de fugir dos olhos reprovadores da amiga, enquanto percorria levemente a mão por entre os longos cabelos negros.
         Marina e Cathy eram melhores amigas desde os três anos de idade. Elas compartilhavam não só os mesmos gostos e o mesmo humor, mas também as duas eram donas de grandes e cintilantes olhos verdes. Marina sempre comentava que preferia muito mais olhos azuis, ela dizia combinar mais com seus loiros cabelos curtos e encaracolados, mas Cathy sempre a repreendia, elogiando-a, dizendo que seus olhos naturais realçavam sua pele albina.
        -Cathy, repita comigo: É só um filme. – Marina revirou os olhos, enquanto suspirava e balançava a cabeça negativamente. – Não era você que se intitulava a corajosa? Ah, vamos! Não quer conquistar Dylan? Olha, ótima chance! – Animada, ela lançou um olhar desafiador à Cathy, que, ao ouvir o nome do menino que gostava há anos, sentiu um calafrio percorrer seu corpo.
        Marina sabia muito bem os artifícios para convencer a amiga, mesmo que muitas vezes se tratassem de golpes sujos. Entretanto, Marina sempre teve como objetivo ajudar a amiga a superar seu medo incoerente por um determinado filme de terror.
       -Sim, marina, eu não possuo tantos medos assim. Mas sempre há a exceção! Você não sabe o quanto eu temo esse filme. – Cathy deixou-se cair esparramada no sofá da sala, encarando o teto, cuja cor, antes branca, tornava-se amarelada, devido à luz da sala.
       -Escute, Cathy. Eu quero ajudá-la. E essa é uma ótima oportunidade! Estamos a sós na casa. Ninguém poderá ouvir seus gritos. – Ela despejou, encarando a amiga e esta devolve um olhar assustado, enquanto colocava-se sentada no sofá. – Tudo bem. Exagerei. Mas tente compreender! Nada vai acontecer. – Ela indagou, tentando encorajar a assustada menina no sofá.
       Cathy encarou o tapete branco felpudo da sala, enquanto ignorava o objeto, já que seus pensamentos estavam em outro lugar. Ela apertou as almofadas amareladas da sala, enquanto fechava os olhos e, antes que pudesse mudar de ideia, despejou:
       -Tudo bem. – Sua voz saiu abafada e ela lançou um olhar furtivo à amiga, que comemorou vitoriosa, dirigindo-se à estante da sala, abrindo a gaveta de DVDs e pegando o objeto, que causara tão prolongado assunto.
     Cathy afundou no sofá, apertando uma almofada contra seu corpo, enquanto observava a amiga ligando o DVD player e, com o controle na mão, seguiu para o interruptor, quando Cathy se pronunciou:
      -Ah, você só pode estar brincando. Você já quer demais! No escuro? De jeito algum! Afaste-se desse interruptor agora!
       -Cathy, me responda qual a graça de assistir um filme de terror com a luz acesa? – Questionou a menina de cabelos loiros, enquanto apontava o controle remoto à amiga, e cruzava os braços.
      - E qual é a graça de forçar a amiga a assistir ao filme que pode levá-la a um ataque fulminante do coração?! – Exclamou Cathy, colocando os pés, cobertos por meias brancas, encima do sofá.
      -Sem exageros, por favor. – Marina franziu a testa e revirou os olhos, pensando em alguma ideia. – O.K. Então, desligamos a luz da sala e deixamos a do corredor acesa, que tal? – Propôs Marina, seguindo para o corredor e ligando o interruptor, logo voltou e desligou o da sala.
      Cathy resmungou baixinho, tornando inaudível aos ouvidos da Amiga. Essa sentou-se na poltrona, ajeitando-se confortável, enquanto colocava os pés encima da mesa de centro da sala e, apontando o controle para a teve, apertou o play.
       A tela escureceu e Cathy encolheu-se mais no sofá, mordiscando de leve a ponta do travesseiro, enquanto cravava as unhas nas extremidades do objeto macio. [...]

(Valéria C.)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Insubstituível


    Somos terríveis! Confidenciamos. Sorrimos. Brincamos. Choramos. Nos emocionamos. Amigas sempre contando uma com a outra para tudo. Em todos os momentos, até porque nós fazemos esses momentos. Companhias indiscartáveis, imprescindiveis! Loucuras em uma simples saída! Risos psicodelicos, olhares maldosos e sedutores. Companheiras eternas. Aguentamos as paixões umas das outras, assim como os grandes discursos apaixonados. Superamos juntas choros de felicidade e de tristeza. Entre soluços e sorrisos sempre estaremos juntas. Ficamos extasiadas com um simples assunto, com um simples gesto! As coincidências nos impressionam e caímos na risada seja lá onde estivermos.  Não nos importamos com quem nos ache loucas. Compartilhamos desejos, sonhos, aspirações, sentimentos. Aconselhamos, elogiamos e repreendemos. Ligamos umas paras as outras em plena madrugada só para contar algo minimo que fosse! Temos ataques de ciumes, sem deixar de mencionar as brigas por algo inútil, ficamos emburradas, mas logo voltamos a nos falar. Fazemos planos para o futuro. Imaginamos a viagem perfeita, o garoto perfeito e a vida perfeita! Fazemos palhaçadas nas horas mais inoportunas, sem esquecer de encher o saco por causa daquele desvio extremo! Nos consolamos ao tiramos uma nota ruim. Compartilhamos os mesmos inimigos. Sonhamos casar com algum famoso e discutimos sobre tal assunto. Tentamos cozinhar e acabamos deixando o lugar uma tremenda bagunça! Somos sinceras, confidentes, honestas, eternas apaixonadas, palhaças, felizes! Fazemos os dias de aula mais alegres e divertidos. Passamos bilhetes na hora da aula. Comentamos sobre aquele garoto. Somos as anjinhas mais diabolicas. Somos as piores melhores amigas! Somos chatas e sensiveis. Mesmo a mais forte, se torna sentimental. Almejamos viver um grande romance. Passamos horas remoendo o mesmo assunto. Tentamos fazer a outra desistir de uma coisa que só a faz sofrer. Choramos ao ver uma lágrima escorrendo pelo rosto da outra. Ficamos em prantos ao assistir aquele filme romântico!  Reclamamos daquela aula tediosa, daquela música chata, daquele filme proibido, daquele garoto idiota, daquela comida ruim, daquela festa sem graça. Somos maduras, embora em alguns momentos não seja bem assim. Aguentamos situações desconfortáveis. Consolamos, mesmo que naquele momento precisemos de consolo, mas, mesmo assim fazemos de tudo para ver um sorriso idiota estampado no rosto da outra. Sentimos saudades, mesmo que tenhamos passado apenas alguns dias distantes. Temos vontade de dá um tapa na cara da outra, quando ela insiste em dizer que é feia e ninguém vai querer ela, mesmo sabendo que é a menina mais especial do mundo e que qualquer um, em estado normal e com consciência, seria o maior sortudo ao tê-la ao seu lado. Tentamos organizar uma festa surpresa para a outra, embora,  ela sempre descubra antes, mas o que vale é a intenção. Quando viajamos, sempre trazemos alguma lembrança, mesmo que seja apenas uma bala, mas fazemos a questão de ressaltar que é uma bala deliciosa. Temos opiniões diferentes, contudo, respeitamos a escolha da outra, embora algumas vezes tentemos enfiar na cabeça da outra o que gostamos.  Fazemos disputas saudavéis. Enfim, lemos textos enormes feitos pela outra, mesmo que esteja a maior chatice, só para deixá-la feliz e com um sorriso bobo no rosto. E tudo isso porque nos amamos em uma intensidade tão desumada que fariamos o impossivel para ver a outra realizada. Se ela quisesse a menor coisa que fosse, destruiríamos o mundo só para darmos a ela. Pois é, amizade é uma dádiva, se você não tem, ainda há tempo de correr atrás.  
Nenhum texto nunca será capaz de transmitir o que eu sinto em relação às minhas amigas. Nenhum texto, nenhuma palavra conseguirá descrever o que eu guardo no meu coração. Suponho que não existam letras, palavras e frases possiveis. Nem o maior texto pode ser comparado a intensidade disso. Nada superará nossa amizade.
(Valéria C.)

P.s; Texto para amigas! Outro dia eu faço os dos amigos rsrsrs

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Moving

É difícil tentar de tudo, insistir, persistir e, no final, descobrir que nada adiantou. É difícil explicar as lágrimas, que percorrem a extensão do nosso rosto, nos momentos mais inconvenientes. É difícil ver um amor nos braços de outra pessoa. É difícil querer algo, mas saber, lá no fundo, que nunca o terá. É difícil receber uma nota ruim, quando, na verdade, nos esforçamos tanto para melhorar. É difícil decepcionar alguém, tanto quanto é difícil ser decepcionado. É difícil se conformar com algo, que, certamente é impossível. É difícil falhar, quando todos estavam contando com a gente. É difícil concordar com palavras duras e árduas, embora sejam totalmente verdadeiras. É difícil deixar quem amamos partir, da mesma forma que é difícil quando partimos de um amor. É difícil olhar alguém que amamos triste e desolado, quando não podemos fazer nada para ajudar. É difícil ver como o mundo tem se tornado a cada dia. É difícil perceber o quanto as pessoas mudam, do mesmo jeito como mudamos. É difícil ter esperanças, quando o mundo rege para que não tenhamos. É difícil acreditar em alguém que nos decepcionou, contudo, é mais difícil perdoar alguém que fez nosso coração sangrar.  
(Valéria C.)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sonhos.

Amanhã quero fazer algo novo, surpreendente. É claro que eu sempre quero, obvio. Mas nada o que eu desejo acontece. Acho que o destino não tem tempo de realizar todas essas “preces” do mundo afora. Ah, eu não sei, mas não faço a mínima questão de passar muito tempo remoendo isso. Apenas... Bom, apenas exponho claramente meus sonhos, para que depois não me venham com ladainhas, retrucando que eu era indecisa, nunca me decidia e que, definitivamente, eu não sabia o que eu queria. Seria injustiça deixar que sonhos tão bem pensados se deixem perder. Passei horas e horas pensando e aperfeiçoando cada sonho meu e, depois, imaginando como seria, realmente, tão mágico caso acontecesse. Mas suponho que sonho algum deve ser tachado de impossível. Lá no fundo, acho que inventaram essa coisa de “impossível” só para impedir algumas pessoas de cometerem tal ato, desacreditando-as. Não que não exista algo impossível, pelo menos, eu acredito que tenha realmente, contudo, não acho que sejam tantas coisas como essa sociedade diz. Basicamente, não entendo maioria das coisas que a nossa sociedade expõe e, algumas vezes, nem acredito em certas coisas que essa “tão grande bela e perfeita” sociedade diz ser. Sonhos motivam as pessoas. Alguns podem retirá-las da realidade, confesso, mas sonhos fazem com que cada ser traga consigo um brilho nos olhos impressionante. O que seria de mim sem sonhos? Não sei responder. Será impossível? Mas posso afirmar que se não fosse os sonhos eu não estaria redigindo isso. Imagino que vocês devam estar sonhando para que eu termine logo isso! Está ficando grande demais! Desejo realizado.
(Valéria C.)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Truth

Sou uma pessoa decidida, embora não deixe de ter minhas dúvidas. Se possível, gosto de fazer as coisas acontecerem. Não gosto de deixar para depois, o que eu posso fazer hoje. Às vezes, irrito-me com pessoas indecisas e sonsas demais, contudo, existem, em minha vida, pessoas que eu admiro muito com essas características. Prezo uma amizade, porém, nem sempre há harmonia entre amigos, mas nunca deixo se esvair um sentimento importante para mim. Sonho e almejo lutar por aquilo que eu quero, embora, em certos momentos, eu fraqueje. Nunca deixo um amigo na mão, assim como, não repreendo os que erraram, contudo, não deixo de aconselhá-los. Acredito que, qualquer pessoa possa ser feliz, contanto que a mesma corra atrás. Acredito que exista felicidade nos pontos mais longínquos, afastados, porém, precisa ser achada e considerada. Acredito que, duas pessoas possam ser felizes, até o final de suas vidas, compartilhando de amor, carinho, amizade, fidelidade, embora tenhamos que superar e passar por vários obstáculos. Acredito em amor verdadeiro, mesmo que haja casos que desacreditem a existência de tal sentimento.  Enfim, acredito que as pessoas, um dia, acreditem em si mesmas, a ponto de correrem atrás de seus sonhos, seus desejos, sem seguir, arduamente, uma regra de conduta imposta pela sociedade em que vivemos.
(Valéria C.)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Impasse.

   Ah, estava tudo tão perfeito ou, pelo menos, indo bem. Mas não, não é o suficiente. As aulas devem recomeçar, trazendo aquele sufoco e aquela tortura matinal, além do mais, acordar cedo. Puxa! Quanto tempo faz que não sei o que é isso. Ser forte, aguentar e superar aquelas aulas tediosas sem fim. Presa em uma sala, onde qualquer ruído pode ser motivo de uma advertência. O que me restará? Escrever durante aulas? Nossa. Parece-me tão boa ideia que fico extasiada só em pensar, contudo, reajo ao contrário ao saber do árduo ritmo escolar, onde devo prestar atenção para que eu consiga minha desejada nota satisfatória. E, então, observo o meu ciclo vicioso aproximando-se ao passar dos dias. Não que as férias não tenham sido um ciclo vicioso, afinal. Porém, dava para superar! Passou rápido, embora alguns dias tenham se passado rastejando. Mas... Para que voltar às aulas? Passar por tudo isso, todo ano... Rotina igual, tediosa... Estou cansada só de mencionar o assunto. Imagino o quanto será difícil acostumar-me novamente. Mas enquanto estou aqui escrevendo em frente ao meu companheiro, meu computador, que, talvez, em época de aulas deixe de ser o meu acompanhante, penso que, talvez, tudo tenha um motivo, afinal, um objetivo.
E então, nos esforçaremos, estudaremos, cresceremos e teremos filhos. Esses, graças ao nosso sustento proveniente das árduas aulas, terão acesso a esse mundo virtual, onde, por sua vez, eles irão ter pensamentos semelhantes a esses que aqui escrevo. Pensando e refletindo ou, até mesmo, já conformados com o destino. Sabendo que o melhor é continuar.
(Valéria C.)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

My life

     Esse sentimento viera tão sorrateiro e se mostrou imprevisível e surpreendente. Eu começara a concentrar-me em outra coisa. Tão mínima... Tão escassa. Como pudera eu me preocupar com tais coisas?Mas eu não controlava. Vinham em minha mente como um turbilhão, causando todo tipo de sensações, todo tipo de reações. Como lidar com algo desse tipo? Amor próprio seria a resposta? Talvez, até porque pessoas com amor próprio não ficam pensando em coisas que as machucam. Cansei de chorar por incertezas, ou melhor, cansei de expor minhas lágrimas. Se for para usá-las, que seja por uma convicção. E agora que tudo passou. Tudo o que eu pensara faz parte de lamúrias e memórias passadas perdidas nos mares de mesmice. Minha vida voltou a ser um ciclo vicioso, mas novas experiências foram guardadas e erros aprendidos, assim como ensinamentos que nunca serão perdidos. Mas não acaba aqui, ainda há muito o quê caminhar. Talvez, eu passe por tudo novamente até que eu me canse e diga: “Chega!” Mas enquanto não acontece, encontro-me aqui como humana, como ser imperfeito, caindo e levantando a cada luta perdida. A vontade de encontrar algo, que me traga paz e que me faça sentir-me completa, vence qualquer obstáculo.
(valéria c.)

P.s: A frequencia das postagens no blog vai diminuir =( Parece que a criatividade não tem dado as caras por aqui. Nem a imaginação ou a força de vontade, que só tem mandado lembranças, né? Mas não vou parar de postar. Seria terrível! Ou não -q

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

When you least expect

      Repentinamente, uma forte tempestade atingira a cidade quando a jovem Carrie voltava da escola. Raios serpenteavam pelos céus nublados e escuros. Embrulhada em seu casaco, a jovem menina vê dificilmente um casarão mais ao longe. Sem ter melhores opções, ela dirigiu-se à construção desconhecida. Menina boba, mas a chuva parecia mais aterrorizante que aquele lugar.
      Carrie bateu na grande porta de madeira, enquanto protegia-se dos pesados pingos de chuva. Mas nada, ninguém respondeu. Ela então empurra levemente a porta, fazendo com que a mesma abrisse com um rangido agudo.
     Relutante, entrou cautelosamente no grande salão abandonado do lugar, que era iluminado pela escassa luz do antigo lustre no teto. A porta tão estranhamente como abriu, fechara-se. Encurralada, a menina volta-se para a saída, chutando-a e esperneando-a, em tentativas sem sucesso de abri-la.
     Uma música lenta e instrumental tirou Carrie de seus desesperados devaneios. Apavorada, pôde localizar a origem do ruído. “Andar de cima.” – Murmurou mentalmente, enquanto tremia. Ela não queria arriscar-se, mas em seus pensamentos otimistas, ela pensara que pudesse encontrar auxilio ou algo do gênero. Mesmo que algo gritasse em sua mente para que não prosseguisse, Carrie seguiu subindo vagarosamente pelas escadas desgastadas.
      O som ficava cada vez mais alto quanto mais a menina subia as escadas. Chegou finalmente ao andar de cima, onde deparou-se com um corredor escuro e estreito. Pensou em desistir e voltar por onde viera, mas algo a atraía para aquele lugar. Seus olhos encontraram a velha e desgastada porta de madeira do fim do corredor, onde encontrava-se a origem da melodiosa música.
       Ofegante, a menina continuou até parar em frente a tal porta. Ela a empurrou vagarosamente, espiando pelo canto do olho. O ruído cessou com a presença da menina e, olhando pelo quarto, Carrie soube que estava sozinha li. O silêncio estabeleceu-se, sendo cortado apenas por uma goteira no teto, que atingia o chão em intervalos de 2 segundos.
Estranhamente aliviada, a jovem garota deu de ombros e voltou-se para a saída do quarto, mas fora interrompida pela música que recomeçara, mas agora, acompanha por um ruído insuportável e irritante.  Carrie levou as mãos a seus ouvidos, como forma de proteger-se do alto som.
      Olhou relutante cômodo adentro,mas agora avistara uma boneca velha e horripilante sentada no parapeito da janela, encostada nos vidros embaçados.  Carrie soltou um grito abafado ao perceber o estranho aparecimento de uma poça de sangue no chão, próxima à boneca.
        Fotos de desconhecidos apareciam nas paredes do quarto ao redor de Carrie. Seus olhos arregalaram-se ao perceber a presença de fotos de sua família. Todas as fotografias possuíam um xis vermelho. A menina começou a sentir um forte ardor na região de seu ombro e, percebera que uma marca feita por seu próprio sangue começara a se formar.
         A dor impedia qualquer tipo de movimento e de ruído por parte de Carrie. Uma fotografia sua surgiu acima da boneca, enquanto o objeto abria um sorriso aterrorizante em direção à menina. O pânico havia tomado completamente o corpo da menina, a tortura fizera que esquecesse a dor e assim saísse as pressas daquele lugar. Enquanto afastava-se das proximidades do casarão, a menina, sem fraquejar, não se atrevera a olhar para trás.
         Chegando a sua casa, Carrie traçou-se em seu quarto, deixando-se cair em sua cama. Tentara entender o que havia acabado de ocorrer e assim, ela adormeceu tendo tais pensamentos.
        No outro dia, Carrie lentamente é acordada pelos raios de sol que entravam pela sua janela. Não demorou a lembrar do ocorrido do dia anterior e supôs que tivera sido apenas um sonho.  Rolou na cama e segui calmamente até o banheiro.
       Olhara de relance para o espelho e fora surpreendida ao ver que a marca em seu ombro encontrava-se intacta. Apavorada, Carrie saiu correndo por sua casa, procurando ajuda, mas nada. Vendo que ali não haveria ninguém, saiu de sua casa em disparada, a fim de encontrar alguém que pudesse oferecer-lhe ajuda ou até mesmo ajudá-la a entender, mas quando estava prestes a atravessar a rua, um carro em alta velocidade viera em sua direção, acabando com seu sofrimento.
       By: Valéria c.