sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Contos de Russemontes - 5º História

        Andando sobre as folhas secas da floresta, Sophie causava pequenos ruídos com seus passos. O som das folhas partindo-se ao meio denunciava a sua chegada. Encapuzados e sombrios, figuras lançaram um olhar à menina que aproximava-se ao longe.
      - Pensei que não viesse mais. – Uma voz soou autoritária e pesada, mas ao mesmo tempo, fria.
      -Minhas sinceras desculpas, Gallowey. – Sophie curvou-se diante à figura a sua frente, abaixando o olhar, e encarando a grama ressecada daquela parte da floresta. –Por inconveniência, sofri alguns contratempos. Nada que requeira preocupação. – Ela levantou-se e retirou o capuz. – Espero que eu não tenha atrapalhado em nada.
      -Sabes que não tolero comportamentos como esse, principalmente, de iniciantes. – O homem juntou-se a Sophie, retirando seu capuz, e revelando-se um alto homem com cabelos crespos castanhos, pele bronzeada e olhos pretos cintilantes. – Mas, devido às circunstâncias atuais, terei de livrar-te, mas somente essa vez.
      Mostrando um semblante desnorteado, Sophie sofreu uma leve tontura, tão rápida que pôde sustentar-se em pé sozinha. A jovem bruxa pousou, levemente, a mão direita sobre sua testa, livrando-a de alguns fios de cabelo que a recaíam.
      -Estás com dificuldade em lidar com as premonições? – Gallowey questionou friamente, deixando claro seu tom vazio e ignorante.
      -Não. Na verdade, estou, até agora, saindo-me muito bem. – Sophie recompôs-se, murmurando firme, porém baixo. – Agora, diga-me... O quê está ocorrendo?
      -Parece que não tens estado informada. – O homem, aparentemente, possuidor de idade avançada pronunciou, deixando transparente seu descontentamento.
       Gallowey, o maior feiticeiro das últimas três décadas, sempre exigia competência desumana de seus subordinados. Inflexível, condenava sem dó aqueles que se opunham as suas ordens e a seus caprichos. Excêntrico ao extremo, sempre tentava superar os antigos mestres de feitiços dos séculos passados.
       Esse grande ditador tratava Sophie com menos rigor, devido ao seu dom, único entre os feiticeiros, e raro entre todas as criaturas. Premonições sempre foram representadas como uma grande vantagem, caso Sophie estivesse morta ou debilitada, ela não teria alguma utilidade para Gallowey.
       Sophie era descendente de uma família nobre, que houve de possuir membros passados com esse dom, e assim,o herdara.
       -Eu tenho estado ocupada com outros assuntos. – A jovem bruxa abaixou o olhar. – Hector tem perturbado-me como nunca. – Ela revirou os olhos.
       -Fique longe de Hector, ou melhor, de Anjos e demônios. – Gallowey soou agressivo e controlador, até porque, afinal, essa era sua personalidade. – Você não desconhece a meta deles de erradicação das bruxas. – Bufou. – E acredito que, não descansem até que a tenham atingido.
      -Como quiser. – Obediente,Sophie pronunciou.
      Um silêncio absoluto propagou-se pelo ar, estando audíveis, apenas, alguns ruídos animais provenientes das proximidades da floresta. Até que, cortando essa antipática pausa, Sophie voltou a questionar:
      -Hoje, qual objetivo tens em mente?
      -Sophie, temos perdido alguns recrutas... – Gallowey murmurou visivelmente irritado, ignorando a ousadia da jovem bruxa. – Feiticeiros e bruxas estão deixando Russemontes, devido a essa guerra infeliz contra anjos e demônios. Mas – Sibilou -, não penses que seja por medo. – Ele focou a atenção em algo ao longe. – Por hora, eles preferem não envolverem-se nisso...
        -Quantos ainda estão aqui? – Sophie encostou-se em um tronco ressecado e quase sem vida.
       -Somente nós. Esses aqui presentes. – O homem abriu os braços, enquanto mostrava e olhava ao seu redor. Havia cinco deles, já contando com a herdeira e com o mestre. Dois feiticeiros e uma bruxa.
       -Somos páreo contra os demônios? – Pouco convencida, Sophie questionou, arqueando as sobrancelhas.
        -Acredito, eu, que sim. – Ele respondeu com convicção, e lançou um olhar para o lado. – Até porque, teremos auxilio...
        Sophie voltou o olhar para o mesmo lugar que Gallowey e, avistou, surgindo por entre as árvores quase mortas, uma figura feminina. A bruxa abriu um pequeno sorriso de lado, e murmurou intrigada, embora não estivesse surpresa:
        -Rose...
        By: Valéria C.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amizade.

       Sabe quando todas as palavras ficam guardadas na garganta, esperando o momento para se libertarem, para mostrarem quanto tempo ficaram guardadas e que agora tudo faria sentido.  Tais palavras podem desencadear reações boas ou ruins, mas, de qualquer forma, eu sei que sempre terei pessoas ao meu lado, aconselhando, brigando, amando... O que é amizade? Não se descreve, ou, tais descrições são fortes que chegam a ser incomparáveis e somente aqueles que sentem o verdadeiro sentimento são capazes de entender. Imagino como será o futuro, quando todos nos separamos. Quando todos seguirem seus próprios caminhos, deixando sorrisos, lágrimas, consolações, lembranças, boas e más, para trás.
      Mas o que importa? É o presente que estamos vivendo, aproveitando. Usufruindo cada vez mais da companhia daqueles que amamos. Devemos ter preocupação com o futuro? Claro, mas sem deixar de esquecer o agora, o momento de hoje. Quanto mais ocupamos a mente com preocupações, lamúrias, tristezas, dores... Será mais tempo perdido. Devemos superá-los para seguirmos em frente, fortes e firmes, junto daqueles que sempre estarão ao nosso lado.

          By: valéria c.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Contos de russemontes - 4º história

         Frio. Muito frio. O vento propagava-se forte. A noite estava no seu auge. A rua estava deserta e molhada pela chuva, que atingira a região há pouco. Ruídos, pequenos ruídos provinham da rua; mais especificamente passos, leves e firmes. Embrulhada em seu casaco, Sophie andava cautelosamente pela calçada, que se encontrava escura, iluminada apenas pela luz da lua, que estava cheia. A luz proveniente dos postes não funcionava, nenhum estava ligado; talvez fora obra da forte chuva que acontecera.
          A menina de longos cabelos loiros parecia tão absorta em seus pensamentos que nem se dera conta de onde estava. Ouviu um ruído diferente, vindo de algum lugar naquela rua, de algum beico, ela não sabia. Levantou a cabeça, deixando a mostra o verde intenso de seus olhos. Sua pele era branca, mas não pálida. Usava uma capa preta com um capuz, tendo por baixo uma saia preta até a altura do joelho, e uma blusa tomara-que-caia da mesma cor. Uma meia listrada unia-se á seu vestuário, junto a sua sapatilha preta. Escondido por entre os cabelos de Sophie estava aquele colar, aquele que denunciava a identidade da menina; um pentagrama.
        -Não acha que está tarde para ficar andando por aí? – Uma voz desdenhosa e desafiadora soou – Está subestimando demais.
        Sophie parou ao lado do beico, tirando o capuz que usava, e voltou-se para a figura escura que saía das sombras.
        -Pare com infantilidades, Hector. – Sophie falou friamente – Estou aqui por motivos óbvios. Peço que não se intrometa... – Ela deu uma pausa e olhou para o relógio em seu pulso. – E não faça com que eu me atrase.
        -Está se garantindo demais, não ouse falar comigo dessa forma. – O jovem anjo soltou uma risada maldosa, mas fria. Arqueou a sobrancelha, lançando-o um olhar questionador. – Enfim, óbvios? Não consigo ver nada que seja tão transparente.
         -Sim. É óbvio você não saber. – Ela manteve a frieza em seu tom. –Não que eu queira desrespeitá-lo, meu caro Hector. O fato é que as coisas mudaram... As coisas sempre mudam. Não há para onde fugir. Ontem, outras criaturas poderiam ser as mais poderosas, mas hoje podem ser mais uma das milhares criaturas que por aí vivem.
           -Você ainda é nova, Sophie. Não sabe o que diz, não sabe nem ao menos o que vai fazer de seu futuro. – Hector respondeu, mantendo um sorriso perverso. – Tome mais cuidado com o que fala, estou lhe aconselhando. Depois, pode ser tarde demais.
           -Desde quando é meu amigo? Se conselho fosse bom, não seria de graça. – Sophie resmungou, embora mantivesse sua expressão vazia. – Além do mais, porque eu o ouviria? Ou melhor, porque eu confiaria em você? Para todos os efeitos, você continua sendo um traidor, ou melhor, um anjo traidor.
           -Por isso mesmo, minha amiga Sophie. Os anjos. Um dos primeiros seres a pisarem na terra. Um dos primeiros habitantes desse inferno. – Hector recuou um ou dois passos, talvez três; adentrando-se novamente naquelas sombras. – Além do mais, não tem somente me subestimado, mas sim, os demônios também. Eles podem ter qualquer forma. – Ele ajeitou uma mecha de seu cabelo, que caíra sobre seu rosto. - Você pode estar certa em parte, Sophie. Os tempos realmente mudaram, eles não são mais controlados, mas isso não os torna fracos e indefesos, muito pelo contrário, não concorda?
          -Mas continuam antigos, ultrapassados; poderes arcaicos. – A jovem menina parecia ter cada resposta pronta, seu tom não demonstrava basicamente nada, apenas frieza.
          -Isso pouco importa. – Ele soltou uma risada frenética, embora baixa. – E acha que seus poderes poderiam ultrapassar os vastos poderes existentes sob o domino de Anjos e demônios? Não seja tola, jovem bruxa. Alguns rituais não são o bastante para você se garantir tanto. Admiro sua frieza e sua forma de lidar com as situações, mas você está indo longe demais. –Pronunciou com convicção, embora tivesses riscos de blefe.
          -Como eu já disse antes... Não se intrometa em assuntos dos quais não fora chamado. – Sophie respondeu asperamente, recolocando o capuz. – E deixe-me ir. Já me alugou demais. – Ela já recomeçara a andar, sem esperar resposta da parte de Hector.
         -Nós nos encontraremos novamente, Sophie. – Hector sussurrou, adentrando na escuridão.
         Nada sabia-se sobre os mistérios e planos resguardados na mente de Hector. Ficara claro que não era um anjo qualquer. Aliás, não era um ser qualquer. Porque não capturara Sophie? Talvez, estivesse dentro de seus planos perversos. Mas desistira. Pensara, então, em novas opções ou... novos joguinhos? Apenas suposições. Ele era um anjo que em hipótese alguma rejeitaria uma diversão. Adorava um acerto de contas e, era fascinado por qualquer chance de aumentar suas brincadeiras, usando para tal, a vida de outros seres.

        By: Valéria c.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal e Reveillon

O natal fora tão mais mágico em anos passados. Onde todos, não só crianças, esperavam ansiosamente pela confraternização entre seus amigos e sua família. Árvores enfeitadas. Presentes. Pessoas queridas, amigos e familiares. Cidades, casas e jardins iluminados; essa época fascinante abrangia tudo isso de forma reconfortante. Onde diversos sentimentos e emoções misturavam-se, trazendo mais reações. As crianças inundavam suas mentes com desejos, possuindo uma ansiedade maior que contagiava todos ao seu redor.




Pensamentos almejando um novo começo ou a continuação de um bom momento. Lembranças vêm à tona, recordando o passado bom ou ruim, mas não fazia diferença, de qualquer forma, ali, onde todos comemoravam juntos, era hora de esquecer os males e acreditar na superação. Erros são levados como ensinamentos, e acertos são sinais de que sempre há esperança. Os fogos dominam os céus, avisando a chegada de um novo ano. Sorrisos estampam-se no rosto de várias pessoas, enquanto a alegria propaga-se. Todos ansiando um ano melhor do que o passado.
By: Valéria c.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Contos de russemontes - 3º história

       Gritos abafados. Rugidos arrepiantes. Esses eram os ruídos que aquele casarão propagava. Sua localização era, em uma primeira impressão, normal. Ficava no final da Rua 14, ocupando um vasto terreno, o maior da rua, ou melhor, o maior do bairro.
       A iluminação aos arredores da construção era precária, praticamente nula. A fraca e falha luz dos postes iluminava apenas pequenos cantos da calçada.
      O céu acima do casarão sempre estava nublado com uma cor escura, negra. Parecia que as nuvens estavam formando um redemoinho, que terminava justamente na torre mais alta do casarão, esta tinha apenas uma grande janela voltada para a rua. Era inexplicável.
      Todo o terreno do antigo casarão era coberto por várias espécies de plantas e árvores, dificultando a visão da desgastada e antiga fachada de entrada. As cores das paredes externas eram escuras, mas talvez assim fossem por serem deveras antigas.
      Um grande portão de ferro guardava aquela aterrorizante mansão, este sempre se encontrava fechado por grandes, pesados e antigos cadeados dourados, mas pouco escuros, devido ao desgaste do tempo.
       Andando leve e cautelosamente, Hector possuía a visão fixada na torre mais alta do casarão. Suas expressões eram indecifráveis, mantinha sempre um sorriso vazio estampado no rosto. Lançou um olhar examinador para o céu árduo e escuro, e murmurou mentalmente: “Estão levando muito ao pé da letra a palavra: Apocalíptico.”
      Dirigiu-se para a construção antiga e sombria, cuidadoso como sempre. Chegou ao grande portão, enferrujado pelo tempo, e tocou de leve no cadeado. Vários raios de choque atingiram o corpo do anjo, percorrendo e, fazendo com que ele tirasse suas mãos em um movimento rápido. “Droga! – Balbuciou”
       Ele analisou por um momento a entrada e depois tirou dos bolsos uma luva preta, colocando-a na mão direita. Novamente, voltou a tocar nos cadeados pesados, e percebendo que os choques não tinham mais efeito, apertou-o entre as mãos, fazendo com que o objeto fosse destruído facilmente. “Agora sim.” – Murmurou vitorioso.
       Retirou o outro cadeado com extrema facilidade, e assim empurrou os antigos portões, fazendo com que rangidos pesados e agudos se propagassem pelo extenso terreno da construção.
      Pôs-se em direção à desgastada mansão principal, aumentando sua cautela. Chegou ao mediano portão de madeira e, sem o bater, empurrou-o, o que trouxe mais rangidos. Entrou na imensa escuridão do lugar, sendo iluminada apenas pela luz da lua que adentrava pela porta, e por alguns pontos no telhado.
       -O que fazes aqui? – Uma voz grossa e desumana soou por todos os lados, fazendo com que fosse impossível conhecer sua origem. – Hector, sua audácia ainda lhe matará. Saiba diferenciar coragem de burrice.
       -Não sou audacioso, muito menos ignorante, caro Vince. – Hector pronunciou friamente, atento a qualquer ruído. – Sabes que eu não ousaria pisar nessa imundice por coisas inúteis. – Ele cruzou os braços. – Agora me digas, porque esse lugar? Eu soube que demônios eram discretos, mas isso está longe de discrição. – Bateu o pé direito no chão de madeira, fazendo com que a poeira se erguesse. – E esse céu apocalíptico? Ah, vamos lá. Saber que você, ou melhor – Pigarreou -, vocês não haviam se instalado no parque fora muito fácil.
       Uma risada maldosa soou pelos cômodos do casarão, fazendo com que o mesmo estremecesse.
       -Hector, não sejas tão idiota. – A voz retomou seu tom vazio e desumano. – Esse lugar é obvio demais para a fraca e débil mente dos humanos... A menos que tenha dito a alguém sobre a localização.
       -Por favor... Mostre alguma inteligência. Não sou tão imbecil para fazer isso. – Hector revirou os olhos. – E sem mais protelações, vamos direto ao ponto. Sei que estás caçando bruxas, e depois as matando de forma dolorosa.  Aquela garota, que capturou no parque, é uma, certo?
      -Jovem anjo, sabes que essas criaturas “mágicas” – Vince soou desdenhoso. – são uma ameaça para todos, principalmente para os demônios. Elas e a maldição dos seus feitiços aterrorizam muitos e, caso forem experientes e fortes, podem pulverizar qualquer criatura com apenas um olhar.
     -E porque estás caçando as jovens? És louco ou perdeu o raciocínio? Acredito que esse mundo não tem lhe feito muito bem. – Hector soltou uma gargalhada vazia e, de certo modo forçada. – Elas podem, talvez, se tornar bruxas fortes, mas precisariam de um auxilio proporcionado por um feiticeiro mestre ou, bruxas experientes. Se continuar assim, as mais poderosas continuaram vivas.
     -Aprenda a blefar, anjozinho. Estás fazendo isso para que eu conte meus planos, mas lhe digo que não conseguirás. Escolha seu lado, antes de exigir algo.
     -Mas eu já fiz minha escolha. – Hector murmurou entre dentes.
     -Isso é o que veremos. – A voz ecoou pelos cômodos e Vince foi-se, deixando Hector na companhia da escuridão. O anjo soltou uma risada maldosa e voltou pelo caminho o qual viera.
         By: Valéria c.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Here Without You

        Hoje acordei me sentindo estranha, desnecessária. Como eu estou? Não sei e também não sei o porquê, ainda não consegui definir. Dia normal esse o qual me encontro, mas algo me perturba, me impulsiona à fatos incertos e imprevisíveis. Preciso correr; fugir de tudo isso. Não estou forte para aguentar, essa pressão destrói. Esses sentimentos de falha corroem de uma maneira indescritível. Onde fui meter-me? Eu não queria me machucar. De primeira pensei que fosse uma dádiva ou algo semelhante, mas me enganei. Talvez, nada fora realmente como eu pensava,Talvez, eu tivera apenas sido boba e não percebi.Pergunto-me até hoje porque fui tola, não que eu tenha sido tão ingênua, apenas usaram demais minha ingenuidade.Talvez, eu quisesse apenas ser feliz, ou até mesmo, encontrar um motivo para continuar a viver, um motivo que me fizesse feliz. Alguém, algo que retirasse minha depressão logo que eu acordasse. Alguém que me fizesse ver a vida de um ângulo, de um modo diferente. Alguém que me fizesse abrir um sorriso ao inicio de cada dia, quando eu me olhasse no espelho e pensasse: “Sim. Eu posso continuar, eu tenho um objetivo.”

By: Valéria c.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Contos de russemontes: 2º história

      Pensamentos, todos embaralhados, todos fundidos...
     Alegria, tristeza, desejo, raiva...
     Atento a tudo e a todos. Ali estava ele, aquele garoto, garoto não, aquele jovem, aquela figura discreta sentada no banco do shopping, ninguém o notava, porém, o mesmo mantinha seus olhos fixados em cada um dos que passavam por ali.
 “Problemas, problemas e mais problemas... Quando ele parará de ser um fardo para mim?” – Pensava uma mulher ao desligar o celular e colocá-lo dentro de sua bolsa, ao mesmo tempo em que por ali passava.
   “O que eu fiz? Ele me iludiu, fez eu me apaixonar para depois me descartar...”– A poucos metros daquele observador, uma garota repetia mentalmente para si mesma, enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas.
   O quão interessante devia ser um Humano? Realmente, muito divertido. Porém, ser um anjo teria lá suas qualidades. Quais seriam elas? Divinas? Bom, ninguém sabe. Somente aqueles que carregam consigo o fardo de ser um anjo.
    Seus olhos não pareciam inocentes, pouco menos, divinos; seu sorriso tinha um significado subentendido, traíra. Sim. Aquele o qual se encontrava sentando, observando a todos cautelosamente, era Hector.
    Sua aparência, atraente, despistava qualquer desconfiança. Olhos azuis, cabelos negros lisos, pele branca, meio pálida; lábios avermelhados, braços fortes, ombros largos e estatura mediana, assim era aquele anjo, aquele que despertava ternura, desejo, raiva, inveja.
     -Não acredito que vim parar nesse lugar. – Hector sussurrou, abrindo um sorriso meio perverso, meio divertido.
     Levantou-se calmamente do banco onde estava; colocando as mãos nos bolsos de sua calça, logo começando a andar por entre as pessoas que passavam, enquanto lia cautelosamente todos seus pensamentos. Ele fechou os olhos, e jogou a cabeça para trás, abrindo mais ou vez aquele sorriso; reabriu os olhos e volto-se a olhar para frente, avistando mais afastada dos outros, uma garota. Ele lançou um olhar para a mesma e seguiu em sua direção.
      Não era uma menina qualquer, literalmente. Ela vestia-se de uma forma um tanto sombria, usava um vestido preto até o meio da coxa, um colar de morcego, luvas pretas até a altura do cotovelo, e calçava coturnos. Seus cabelos pretos longos combinavam com seu vestuário, junto com seus olhos pretos cintilantes e sua pele branca, pouco bronzeada.
      -Uma surpresa vê-la aqui. – Hector pronunciou-se ao chegar perto da garota. – Fale-me Rose, não acha que está sendo ousada demais?
      -Não me venha com reclamações e palpites, Hector. – Falou ela, enquanto erguia uma sobrancelha.  – Quem é você para me falar o que é certo? Quando fica ouvindo os pensamentos mais secretos dos outros, sem ter ao mesmo algum sentimento de culpa? – Finalizou ela, lançando um sorriso desafiador a Hector.
      -Não tente me enganar, minha cara; para uma vampira, não acha que está sendo bondosa demais? – Hector a lançou um olhar de vitória. – Não acredito que tenha se rendido aos fatos, e tornado-se uma boa samaritana?
      -O que aconteceu, é passado. – Ela desviou o olhar para algo em sua frente. – Vampiros são seres sanguinários, sombrios e demoníacos, não me venha falar de boas ações. – Rose deu uma pausa, olhando para Hector. – Não acha que você deveria preocupar-se? Você é um anjo, apesar de cretino, continua sendo um anjo. Se não me falha a memória, eles deveriam ser bons, não?
       -Tolos, Rose, pensamentos tolos esses os seus. – Hector manteve a compostura, embora tivesse se sentido irritado com a audácia da pergunta, e um pouco desconfortável, talvez; mas manteve sua expressão fria de sempre. – Meras ilusões; sabe o que é isso, Rose? Apenas nós, aqueles cujas informações nunca foram reveladas, sabem verdadeiramente sua metas.
      -Disfarce, desculpa e lorotas. – Repetiu Rose, cruzando os braços. – Não queira explicar-se; sua vida deve-se a você, somente a você, e eu sou a última pessoa que venha a se interessar pela sua vida medíocre.
      -Não se faça de desinteressada, isso você não é. – Hector a lançou um olhar furtivo. – Agora, fale-me, o que veio fazer aqui? Pelo que me lembro, desde aquele incidente...
      -Cale-se, Hector! Esse assunto não lhe deve respeito. Você não tem autoridade nenhuma sobre mim, lembre-se disso. – Rose pronunciou asperamente.
      -Peço-lhe minhas sinceras desculpas, Rose. – Hector desculpou-se, embora deixasse transparecer seu sorriso de vitória. – Agora me diga; o que faz aqui? Na luz do dia.
     -Observando, apenas observando. – Rose, voltou seu olhar para Hector, e abriu um sorriso sínico. – Meu caro, como você, eu também tenho meus assuntos.
     -O que estás tramando, cara vampira. – Hector deu um pequeno riso de lado, quase imperceptível. – Então, soubestes do ataque no parque a uma doce menina vulnerável? – Ele pronunciou, deixando transparente seu sarcasmo.
    -Sua ignorância me enoja, Hector. – Rose revirou os olhos e, olhando para o garoto, ergueu as sobrancelhas. – Sabes que essa menina foi uma vitima cautelosamente selecionada.
    -Estás informada, Rose, isso é bom. – Ele encarou o nada em sua frente, e abriu um sorriso um sorriso maldoso. – Então, os demônios começaram a agir...
   -É o que parece. – Rose finalizou e cruzou os braços, suspirando.
     By: Valéria c.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Conto- O beijo do fantasma.

     Eu voltava da escola em uma noite bela, porém sombria. Resolvi voltar pela rua 27, assim eu aproveitava para passear um pouco pelo parque. Eu adorava noite de lua cheia, era tão elegante, tão evolvente, mas muito traiçoeira. Percorri meu caminho sem pressa, até que avistei ao longe o pequeno balanço que costumava ser a minha predileta diversão nesse lugar. Olhei para o antigo brinquedo, relutante em sentar-me, até porque ele poderia estar enferrujado.
       Enquanto encontrava-me perdida em minhas lembranças, ouvi passos no orvalho. Olhei para trás e, nada. Só havia a bela paisagem. Dei de ombros, e voltei o olhar novamente para frente, assustando-me ao me deparar com uma alta figura morena. Soltei um abafado e, quase inaudível grito, pousando minha mão direita em meu peito, devido ao susto.
       -Desculpe por tê-la assustado. – Ele murmurou, mostrando um semblante preocupado.
       -Mas o que pensava? – Pronunciei asperamente, irritada com o susto que ele me pregara. – Apareceu repentinamente em minha frente, esperando o quê? Um “oi” amigável e normal?! – Percebi o quão grossa estava sendo, então abaixei o olhar e suspirei. – Ah, deixe para lá. Está tudo bem.
       Ele abriu um pequeno sorriso de lado, e assentiu. -O que fazes aqui a esta hora? – Ele perguntou, colocando as mãos nos bolsos.
       -Porque eu te contaria? Você é um estranho. – Respondi, deixando transparecer meu ar de sarcasmo. Ele arqueou uma sobrancelha e eu revirei os olhos. – Gosto de passear em noites como essa; algum problema?
       -Não tens medo? – Ele perguntou, mostrando-se interessado.
      -Não. – Respondi e dei de ombros. - Por quê? Eu deveria ter? – Perguntei desconfiada, encarando-o.
      Ele retribuiu meu olhar, enquanto sorria com divertimento. – Não. Não se preocupe. – Ele me fitou e, percebendo minha expressão séria e nada divertida, continuou. – Eu sou Dylan Vicci. – Ele esticou a mão em minha direção.
       -Eu sou... - Murmurei, desviando meu olhar para o lado, depois, voltando a olhá-lo. – Bom. Você não precisa saber quem eu sou, certo? – Respondi friamente.
       -Você é bem desconfiada e precavida. Isso é bom, embora a situação não exija tanta segurança. – Ele respondeu rindo, enquanto recolhia sua mão. – Antes de chegar, percebi que você encarava esse balanço. – Ele olhou para o objeto e, depois para mim. – Vamos, Sente-se. Eu garanto que é seguro.
      -E quem garante na segurança de sua palavra? – Perguntei, deixando transparecer desconfiança em meu tom, enquanto cruzava os braços. Ele encarou-me, suspirando. Em resposta, revirei os olhos e me dirigi ao velho balanço. Sentei-me, e Dylan juntou-se a mim, sentando na grama e, depois apoiando os braços no joelho. – E você? O que faz aqui? – Perguntei, encarando o nada em minha frente.
     -Eu gosto de vir aqui para pensar, relaxar... Refletir. – Ele respondeu calmo e suave sem olhar para mim. – É um bom lugar; um bom cenário para isso. – Murmurou com os olhos focados na paisagem a sua frente.
     -Por que um bom cenário? – Perguntei, enquanto olhava para ele.
     -Esse lugar foi palco de vários “episódios”. – Ele respondeu, retribuindo meu olhar.
     -Tipo...? – Perguntei com o intuito que continuasse.
     - Bom. Uma das histórias se refere a um casal de jovens apaixonados que se conheceram aqui, nesse parque. Fora amor a primeira vista. Os dois se apaixonaram simultaneamente e rapidamente. – Dylan pronunciou, voltando o olhar para frente e, depois suspirando. – Só que a menina, decorrente a fatos do passado dela, era perturbada por uma gangue de três jovens. Eles faziam da vida da jovem Magguie um verdadeiro inferno. Um dia, o garoto, não aguentando mais assistir ao sofrimento da amada, marcou um encontro com os três rapazes aqui no parque. Ele os desafiou, mas era uma briga perdida, o garoto sozinho não seria páreo contra aqueles três brutamontes, e ele sabia disso; mas ele tinha de tentar, afinal, era a vida de sua amada que estava em jogo. O encontro foi marcado para uma noite como essa que estamos desfrutando. A briga começara então, o garoto, no primeiro momento, tinha a vantagem; mas não demorara muito tempo. Os três jovens tomaram a frente da luta, torturando e espancando o jovem até a morte...
      -Oh, meu deus! – Murmurei automaticamente, mostrando-me atenta a narração. – Mas eles foram presos, certo?
     -Na verdade, não. Nunca conseguiram culpá-los, porque nunca encontraram o corpo do garoto, que fora escondido por eles, como prova de assassinato. – Dylan murmurou suavemente. Ele estava absorto em seus pensamentos. Sua mente parecia estar em outro lugar. Seu olhar estava distante. Pude perceber como seu cabelo reluzia sob a luz do luar, junto a seus olhos de mesma cor.
     -Isso não fora nada justo. – Murmurei, balançando a cabeça negativamente, enquanto abaixava o olhar, e dava um longo suspiro.
      - Dizem que o espírito do garoto ronda por esse parque em noites como essa. A procura de uma garota que o ajude a encontrar seu corpo e, assim, ele pudesse finalmente descansar em paz.
     -E porque somente uma garota? – Perguntei, voltando meu olhar para Dylan.
     -Não sei. Talvez pelo fato dele ter se separado de sua amada de uma forma trágica. – Dylan respondeu, enquanto levantava-se. Eu o acompanhei. – E também, porque o único jeito de entregar a missão à pessoa é selando um beijo. – Ele finalizou, pondo-se em minha frente, encarando-me. Sua face estava séria e, eu pude finalmente entender.
     -Q-Qual o nome do garoto da história? – Perguntei ofegante com o tom de voz abafado, dando dois passos para trás. Ele abriu um sorriso de lado quase imperceptível, inclinando-se em minha direção e, sussurrou suavemente em meu ouvido, trazendo-me pequenos arrepios:
    -Dylan.
    Não tive tempo de reagir, ele aproximou-se mais de mim e, logo pude sentir seus lábios gélidos nos meus. Senti todo meu corpo estremecer e, então reabri meus olhos, notando que sua presença já não existia ali.
    
     Bom. Eu acabei de ser beijada por um fantasma e, ao mesmo tempo, fadada a encontrar seus restos mortais. Estou louca, sim ou com certeza? Oh, céus. Estou bastante ferrada.

By: Valéria C.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Conto- Os mortos também sabem brincar.

         O garoto observava cautelosamente a figura feminina sentada em sua frente. Os longos cabelos castanho-dourados da menina pareciam reluzir com apenas um risco de luz solar, que dificilmente penetrara pela janela, desviando da grossa cortina escura. Sua pele branquinha e rosada parecia atrair o toque masculino daquele que observava. O garoto imaginava aqueles olhos inocentes, embora estivesse mantendo apenas uma visão de trás, ele conseguira memorizar os orbes azuis penetrantes da menina, desde a chegada dela na sala até o momento em que sentou-se na carteira, deixando que o garoto usufruísse apenas parte de sua beleza.
        Atento aos mais simples movimentos da garota, ele podia sentir a sua respiração descompassada. O jovem estava estático com tanta beleza. Sua absurda atenção não demorara a ser notada pela possuidora de tais elogios. Relutante, ela olhou de soslaio para a figura sentada atrás. O garoto, percebendo que sua presença fora notada, voltou o olhar para o lado, onde deparou-se com a paisagem que formava-se além das janelas da sala de aula. O tempo fechou-se rapidamente; nuvens negras começavam a dominar o céu, e um forte estrondo soou pelos terrenos da escola, começara, então, uma tempestade.
        “Esse tempo...” – O garoto pronunciou mentalmente, enquanto focava sua atenção no clima, que acabara de se formar. Parecia estar atento a certas lembranças. Expressões perplexas começavam a tomar conta de seu rosto, e então, voltou o olhar novamente para a figura em sua frente, encarando-a, enquanto encontrava-se espantado e confuso.
       O sinal tocara, despertando o garoto de seu transe. Ele sacudiu a cabeça, e lançou um olhar para frente, avistando a garota ir ao longe. Ele levantou-se automaticamente, pondo-se na direção da menina. Porém, ao sair da sala, acabara em perdê-la de vista. Ofegante, começou a procurá-la em todos os cantos, desesperadamente. Ele percorria desastradamente um caminho entre o amontoado de alunos, esbarrando em alguns, sem preocupar-se em se desculpar.
        Acabara de entrar no corredor oeste, quando finalmente avistou a figura feminina no final do mesmo. Um gemido saiu abafado da boca do garoto, seus olhos arregalaram-se, e suas expressões eram de um terror avassalador, ao ver que ao lado da menina, jazia um cadáver pendurado na parede. O corpo sem vida, que encontrava-se com a farda da escola, parecia ter sido banhado em sangue, e era possuidor de curtos cabelos pretos e lisos, expressões femininas e pele pálida. A garota soltou uma gargalhada alta e maldosa, que propagou-se por todo o corredor, este que antes estava lotado encontrava-se agora com apenas três presenças. O garoto lançou um olhar assustado para a menina, percebendo a substituição de seus olhos inocente e azuis por orbes flamejantes e vermelhos, uma mistura de sangue e chamas.
           -Vamos, Joe. – A menina pronunciou asperamente. –Venha buscar sua namoradinha. -  Ela lançou um olhar enojado para o cadáver ao seu lado. – Não foi por “Isso”... – A menina levantou o braço sem vida do corpo, depois o deixando cair. – Que me deixou?
          -Maureen... C-como? – O garoto gaguejou abismado, caindo de joelhos no chão.
         -Lembra-te, Joe? – Ela voltou seu olhar para a aterrorizante paisagem do lado de fora. – Foi exatamente em um clima como esse que você me deixou morrer! – Ela pronunciou entre dentes, fechando os punhos. – O que foi? Nunca viu um fantasma antes? Pois é, eles existem.- Ela voltou-se para o garoto ajoelhado no chão.
       -Eu n-não te matei. – Ele murmurou com dificuldade. – Foi um acidente de carro, Maureen!
      -Cujo causador fora você! – Ela completou gritando alto e firme, enquanto apontava para o garoto em sua frente. Tal irritação fez com que as portas dos armários abrissem e, depois fechassem com um estrondo. – E depois da minha morte, você logo achou algo para me substituir. – Ela lançou um olhar fulminante em direção ao cadáver. – E olha! Você nem me reconheceu de primeira quando entrei naquela maldita sala! – A menina novamente gritou, fazendo com que as luzes do corredor piscassem, e depois, repentinamente, apagarem; mergulhando o corredor em uma imensa escuridão.
       O garoto estremeceu-se, encolhendo-se no seu casaco. Um ruído leve e inocente começara a propagar-se pelo corredor. Parecia uma canção, cantada lentamente: “La, La, La, La.” O garoto olhava para todos os lados, forçando sua visão, mas era inútil.
        -Joe? Eu te perdôo. – A voz soou doce e calma próxima ao garoto, mas este não conseguia conhecer sua origem. – Agora podemos passar a eternidade juntos! Você só precisa... Bom, morrer. – A voz finalizou grossa e assustadora, seguida de um forte estrondo, causado pela forte tempestade.
        Um arrepio percorreu todo o corpo do garoto. Ele entrara em estado de choque; enquanto olhava fixamente para frente, avistou apenas os olhos de Maureen na escuridão, que reluziam como duas tochas. Ele soltou um grito abafado, deixando-se cair para trás, arrastando-se para longe à medida que aquela doce, porém aterrorizante figura aproximava-se. Quando fora impedido de prosseguir ao esbarrar em algo.
        -Oh, Joe! Eu pedi uma ajudinha de sua namorada cadáver; espero que não se importe. – A garota fantasma comentou com desdém.
         O garoto sussurrou: “Jammie”, enquanto relutante olhava para cima, onde, apesar da escuridão, conseguiu ter a visão do rosto deformado e coberto de sangue da sua nem tão viva namorada.
        Aquela dolorosa visão fez com que Joe recuperasse o fôlego, e começasse a gritar freneticamente. A sua até então namorada zumbi o agarrou, e os dois, junto a Maureen, começaram a afundar em um buraco negro que surgira no chão. E assim, os três mergulharam na escuridão, desaparecendo; Deixando apenas, por alguns segundos, os gritos de desespero de Joe, ecoando pelo corredor.
         As luzes voltaram ao corredor, assim como os alunos. O lugar estava intacto, sem nenhum objeto quebrado, e sem nenhuma gota de sangue. Da mesma forma, inesperada e repentina, como surgiu, a tempestade cerrou.
          “La, La, La, La... Não devemos brincar com os mortos, eles podem aceitar o convite e participar da brincadeira também”
            By: Valéria c.

sábado, 18 de dezembro de 2010

My dear diary

Querido diário,
                            Essa é a primeira vez que escrevo em você, devido ao acidente trágico que houve com meu antigo diário. Sem mencionar profundos detalhes, digamos que, ele caiu na churrasqueira no domingo passado. Vamos dizer que fora um acidente, mas eu aprendi rápido que diários devem ficar muito escondidos. De qualquer forma, meu nome é Katlyn. Katlyn Carter. Sou uma menina normal, bom, de certa forma acho que sim. Tirando alguns acontecimentos do meu passado, como o triste fim do meu relacionamento com Marcus. Ah, isso é uma bela história... Para quem não a presenciou, claro.
                          Faz exatamente seis meses que acontecera tal episódio, até hoje algumas dúvidas me rondam. Eu o conheci em um bar, em San Diego. Não pergunte-me o porquê da minha presença em um lugar como esse. O fato é que nos conhecemos e, começamos um romance. O.K. Estávamos completamente bêbados e chapados, mas digo que no dia seguinte, quando encontrávamos sóbrios, nós nos acertamos. Ah, tudo ocorreu perfeitamente desde esse dia. Bom, omitindo algumas discuções de relação e, alguns deslizes, ah, sem esquecer que Marcus adorava forçar uma barra.
                         Lembro-me que já estávamos há um bom tempo juntos, mas nada de Marcus me pedir em namoro. Algo me fazia pensar que ele estava me enrolando de uma forma cretina, mas talvez eu gostasse realmente dele para deixá-lo. Um dia, o qual eu pensei que fosse o apocalipse, Marcus chamou-me para um encontro. Eu fiquei em êxtase, porque meu nem um pouco inteligente namorado nunca me chamava para um encontro, normalmente o máximo que ele falava era: “vamos sair?”. Mas dessa vez ele mencionou a palavra “encontro”, acredite, quando relacionado a Marcus, isso é uma boa noticia.
                         Ele indicou que fôssemos ao Bar onde nós nos conhecemos. Devo admitir que, fiquei esperançosa e feliz. Ele estava chamando-me para um encontro e, logo no recinto onde nos vimos pela primeira vez, era óbvio – quase – que ele finalmente tomaria vergonha na cara e, pararia de me enrolar, me pedindo logo em namoro. Chegamos ao local desejado e, ficamos em choque ao vê-lo. O bar estava uma verdadeira balburdia. Não que antes ele fosse um lugar agradável, o negócio é que ele estava umas quatro vezes pior. Marcus lançou-me um olhar ignorante, e deu de ombros, entrando pela minúscula porta do bar, mas antes que ele pudesse, é impedido por dois homens marrentos que começaram uma briga, justamente na entrada! Marcus afastou-se dos dois grandalhões e, novamente olhou para mim. Eu perguntei: “E agora?” Ele não respondeu, apenas olhava em volta à procura de alguma coisa, quando ele apontou para a janela do lugar. “Ah, você está brincando.” – Eu murmurei, enquanto minha face tomava expressões perplexas. “Nós não viemos até aqui para nada, vamos Katlyn, pare de bobeiras.” – Ele respondeu suspirando, enquanto dirigia-se àquele “buraco na parede”. Bom, o que eu fiz? Apenas revirei os olhos e o segui. Ele estava com as chaves do carro, eu que não voltaria para casa a pé, então o jeito era seguir o “senhor ignorância” ali.
                       Finalmente chegamos àquela miséria. Puxa! Eu estava cansada. Nós dois nos sentamos à mesa mais afastada daquela palhaçada que se tornou esse lugar. Bom, na verdade era para termos sentado à mesa onde nos sentamos naquela época, mas Marcus achou idiotice e também porque a mesa estava partida ao meio. Quando fez uns 10 minutos que estávamos ali, Marcus mencionou que queria fazer-me uma pergunta. Eu já radiante, respondi-lhe que sim; mas antes que qualquer pedido ocorresse, nosso momento foi atrapalhado por um dos dois grandalhões que vimos brigando na entrada. “Posso interromper?” – O homem perguntou com um tom de sarcasmo e cinismo visível, enquanto cutucava as costas do meu acompanhante. “Ah, mas que porr...” – Eu murmurei, sentindo o ódio correr em minhas veias, enquanto levantava da cadeira. O homem me encarou e deu uma risada alta e grossa. Bom, posso dizer que depois eu me irritei e comecei a ditar uns “elogios” muito descarados para o nosso amigo valentão ali. Ele não gostou nenhum pouco e, como obviamente não tinha cérebro ou raciocínio lógico, ele pegou uma cadeira e atirou em minha direção.
                       Terminou que, a cadeira acabou atingindo Marcus e esse desmaiou na hora. O cara realmente tinha bebido, porque errar um alvo naquela distância era burrice ou demência mesmo. Depois daquela noite, eu nunca mais vi Marcus. Lembro-me que o levei ao hospital. No outro dia quando fui visitá-lo, ele não encontrava-se mais lá. Nos dias que se seguiram, eu mandei-lhe mensagens e fiz ligações, mas nada! O desgraçado tinha evaporado. E assim terminou nosso “relacionamento”, sinceramente, não sei definir o que foi que houve entre nós dois.
                      P.S.: Eu nunca descobri se Marcus ia me pedir em namoro ou não. Aliás, nunca descobri o que ele queria indo na miséria daquele bar.
                     Dica: Nunca marque um encontro em um bar, as coisas podem não sair como esperadas. Ah, e nunca irrite um homem duas vezes maior que você e, com um peso cinco vezes superior.
                   P.S.2: Um dia desses, eu encontrei aquele grandalhão na lanchonete aqui perto de casa. Eu acenei para ele, mas este retribuiu fazendo um sinal muito com feio com as mãos.
                      By: Valéria c.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Contos de Russemontes: 1ª história

        Jovem menina, aquela que acabara de adentrar no parque, andou pelas extensões sombrias e escuras do mesmo. O que uma garota queria ali, naquele lugar tenebroso, aquela hora? Eu não sabia, e acho que ninguém nunca entenderá. Mentes de jovens são tão facilmente manipuladas, mudam de opinião em uma rapidez impressionante, porém são tão difíceis de entender.
        Sorrateiramente, alguém se aproximava da jovem menina, quem? Eu não sabia, eu não conseguia identificar quem fosse; eu nem ao menos consegui identificar como um humano. Sua áurea era tão negra, que até sua sombra perdia-se em sua escuridão; um sorriso perverso brotava no rosto daquele que ninguém conhecia; que ninguém nunca havia ouvido falar.
       A menina já começara a cantarolar enquanto passava pelo estreito caminho do parque, que era iluminado pela falha luz dos postes; talvez fizesse isso como forma de se acalmar, talvez temesse algo macabro proveniente daquele lugar; mal sabia ela, coitada, que estava totalmente certa.
     Há pouco ouvira finalmente passos próximos, ela começara a correr, desviando-se dos galhos e das árvores, alguns chegavam a fazer pequenos cortes em seu rosto e em todo seu corpo, fiapos de sangue eram visíveis na menina; mas ela ligava? Não, claro que não. A menina não escondia o pânico, sua respiração estava ofegante e suas pernas começaram a falhar, a doer, mas ela não dava à mínima; o único pensamento em sua cabeça era o de sair dali.
       O ser bizarro e demoníaco não podia ser avistado por Alícia, sim, esse era o nome da menina. Ele andava, voava, galopava, eu não sabia ao certo o que ele fazia, mas suponho que não seja nenhuma das opções citadas. Os passos puderam ter sido ouvidos, mas não significava que a aberração ainda usava as pernas para perseguir Alícia. Agora, sua velocidade parecia ter dobrado cem vezes, parecia que se locomovia na velocidade das sombras, viajando pelas sombras.
      Perguntas ecoavam na ingênua mente de Alícia; porque ela? O que ela havia feito? Mas eram somente perguntas das quais ela não teria a resposta; talvez fora sorte, ou no caso, azar. Ela apenas estava no lugar errado e na hora errada... Não, não era só isso, havia algo mais. Um ser desse nível não se arriscaria em sair de suas cavernas e tocas imundas e obscuras por uma simples menininha, um simples humano, logo um tão novo.
      A saída já podia ser vista por Alicia, em um último esforço, apertou o passo, acelerou seu ritmo. Um alívio já tomava conta de sua mente, de seu corpo; a luz, apesar de fraca, da rua aumentara o sentimento, e quando já botara os pés na saída do lugar, fora puxada novamente para aquele túnel escuro. Um último ruído foi deixado por Alícia, um grito, esse que ecoou pelas ruas adjacentes ao bosque, que acordou crianças e despertou... Algo mais.
       Viver nas sombras... Ocultos, solitários.
       Sentiam a presença de várias pessoas, vários animais... Vários seres, embora não pudessem partilhar de sua companhia. Não. Não podiam mesmo. Seu instinto era atacar qualquer um que se aproximasse deles. Aparentemente, pareciam humanos normais; claro, porque usavam um feitiço para isso, mas sua verdadeira aparência era repugnante; nem as mais férteis mentes conseguiam imaginar e, nem as mais fortes podiam aguentar a visão de um demônio. Alguns enlouqueciam, outros se matavam, não fazia muita diferença do que acontecia, mas eram muito raros os que sobreviviam sem nenhum dano físico ou psicológico.
        By: valéria c.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Lembranças

      O tempo estava frio, quase congelante. O céu encontrava-se nublado, mas não chovia. Era sempre assim, todos os dias que eu visitava esse lugar, o clima sempre encontrava-se desse modo. Percorri toda a extensão da entrada, relutante em continuar meu caminho; hoje por algum motivo não sentia-me bem naquele lugar. Pensei em voltar, mas não, eu não conseguiria. Respirei fundo, fechando meus olhos, mas logo reabrindo-os e, passei pelos grandes portões de ferro da entrada, onde logo acima havia a placa: Cemitério de Saint Peter. Dirigi-me lenta e cautelosamente por entre as tumbas, até chegar à parte mais afastada do cemitério. Próximo ao Salgueiro de Luce, ou melhor, abaixo do Salgueiro estava a sepultara que eu procurava. Senti meu estômago embrulhar, ao ver aquela imagem. Eu devia já ter-me acostumado, já faz tanto tempo. Aproximei-me da lápide, e a toquei levemente; senti um arrepio percorrer todo o meu corpo. O mediano objeto de pedra estava gélido. “Victor Harris. 12 de dezembro de 1994 à 11 de setembro de 2010” Por uns segundos encarei essas inscrições, até que uma lágrima escorreu pela extensão do meu rosto, fazendo com que eu fechasse os olhos. Uma forte brisa passou, percorrendo meus cabelos, esvoaçando-os. Lembro-me detalhadamente como ocorrera. Até hoje, essas lembranças voltam para me assombrar.
             Tudo começou um mês antes da morte de Victor. Nós éramos namorados, quando ele sofreu um acidente de carro, e perdeu todas suas memórias. Fora perturbador, quase insuportável. Ele não se lembrara de mim, apesar de que nos amávamos incondicionalmente. Então, mesmo que doesse, eu resolvi afastar-me dele, para o próprio bem do meu amado. Por dias, chorei sozinha, inconsolável; pensando que havia o perdido para sempre. Mas eu, todos os dias, o observava de longe, prezando pelo seu bem-estar. Um dia, eu saíra mais tarde da escola em direção a minha casa; quando fui abordada por um assaltante. Coincidentemente, Victor passava por ali quando aconteceu. Ele observou a cena e, partiu para cima do assaltante. Foi uma briga feia, Victor estava machucado, muito machucado; mas o homem estava em situação semelhante. Meu amado conseguiu machucar a perna do assaltante, deixando-o imobilizado. Mas quando Victor estava à certa distância do homem, ele tirou de seu casaco uma arma, colocando-a na minha direção e, depois murmurou: “ Eu posso ser pego, mas algum de vocês vai pagar”. E então ele atirou em minha direção. Fechei meus olhos automaticamente, mas não senti nada ter me atingido, então abri meus olhos lentamente; relutante em relação ao que eu poderia ver. Senti um forte aperto no meu coração quando avistei Victor em minha frente. Ele colocou-se na minha frente e, assim recebeu o tiro. Com dificuldade, murmurei abafadamente: “Por quê?”. Ele deu um pequeno sorriso de lado e murmurou: “Eu apenas senti que devia lhe proteger”. Ele finalizou, fechando os olhos, e caindo em meus braços. Na mesma noite, a noite do dia 11 de setembro, foi dada a morte do meu amado. A bala havia atingido o coração em cheio.

              Apesar de tudo, o amor nunca é esquecido. É um sentimento puro, magnífico; basta ser verdadeiro,e ele lhe surpreenderá.
        By: Valéria c.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Contos de um acampamento

        Há um tempo, não recordo-me muito bem, lembro-me que minha família mandou-me para um acampamento. Quando soube, pensei em desistir; eu não estava em clima para saídas, muito menos para acampamentos; mas como minha mãe faria de tudo para que eu fosse, então logo preparei-me para a viagem. O lugar não ficava muito distante da cidade onde eu morava, que no caso não vale a pena ser mencionada. A viagem durou exatamente três horas, eu estava exausta. Saí do ônibus e logo dirigi-me para meu dormitório. Pulando partes introdutórias e, de certa forma, inúteis, vou direto ao ponto, contar-lhes o que aconteceu.
         No primeiro dia de atividades, conheci uma garota, seu nome era Alice, Alice forks. Tecnicamente, foi ódio a primeira vista. Essa menina odiava-me de todos os jeitos possíveis. Não perguntem-me porque, afinal eu não saberia como responder. De primeira, tive o certo pressentimento que ela era louca, mas logo decidi que era apenas uma menina insuportável, o que não deixada de sustentar a minha hipótese de louca, mas tudo bem. Digamos que éramos rivais em exatamente tudo. Não que eu a odiasse também, aliás, eu não tinha nada contra ela; mas eu é que não iria aguentar provocações de uma garota mimada. Devo dizer que, em algumas dessas competições entre nós duas, o resultado para a pequena Alice não era positivo, o que não aumentava o sentimento de agrado dela por mim.
       Em um dos últimos dias do acampamento, eu a encontrei perto do pequeno lago próximo aos dormitórios, porém não ouvi as provocações diárias. Aproximei-me de Alice e, ela estava em prantos, desolada e tristonha. Logo que ela percebeu minha presença, xingamentos pareciam sair involuntariamente daquela provável boca suja dela. Ouvi muito ali, algumas “expressões” eram até novas para mim, tenho certeza que ela chegou a inventar algumas. Mas eu apenas sentei ao seu lado e murmurei, com um tom desajeitado e calmo: “Ora, xingamentos. Adoro isso, continue”. Após isso, Alice permaneceu calada, encarando o nada em sua frente, enquanto eu podia sentir o ódio correndo em suas veias tanto por mim, tanto pelo motivo que a fez ficar naquele estado. Eu apenas a acompanhei, encarando o nada; mas devo dizer que fiquei entediada. De certa forma, eu já imaginava o que poderia ter ocorrido com Alice; Comecei então a narrar à menina ao meu lado, algumas histórias e experiências semelhantes que ocorreram com a pessoa que narra este pequeno conto. Logo, nossa amiga Alice começou a se soltar e desabafou. Devo ressaltar que, ela realmente precisava disso.
        No final, ela murmurou com o tom ainda abafado: “Porque fez isso? Eu te odiava, faria de tudo para vê-la no chão. Além do mais, somos rivais, competimos.” Eu apenas respondi: “Competição pode ser saudável, ódio não. Lembre-se disso. “Apesar de saber que, depois da conversa ela não estava totalmente recuperada, eu tinha certeza que ela ficaria melhor com o tempo.
by: valéria c.