Pages

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

When you least expect

      Repentinamente, uma forte tempestade atingira a cidade quando a jovem Carrie voltava da escola. Raios serpenteavam pelos céus nublados e escuros. Embrulhada em seu casaco, a jovem menina vê dificilmente um casarão mais ao longe. Sem ter melhores opções, ela dirigiu-se à construção desconhecida. Menina boba, mas a chuva parecia mais aterrorizante que aquele lugar.
      Carrie bateu na grande porta de madeira, enquanto protegia-se dos pesados pingos de chuva. Mas nada, ninguém respondeu. Ela então empurra levemente a porta, fazendo com que a mesma abrisse com um rangido agudo.
     Relutante, entrou cautelosamente no grande salão abandonado do lugar, que era iluminado pela escassa luz do antigo lustre no teto. A porta tão estranhamente como abriu, fechara-se. Encurralada, a menina volta-se para a saída, chutando-a e esperneando-a, em tentativas sem sucesso de abri-la.
     Uma música lenta e instrumental tirou Carrie de seus desesperados devaneios. Apavorada, pôde localizar a origem do ruído. “Andar de cima.” – Murmurou mentalmente, enquanto tremia. Ela não queria arriscar-se, mas em seus pensamentos otimistas, ela pensara que pudesse encontrar auxilio ou algo do gênero. Mesmo que algo gritasse em sua mente para que não prosseguisse, Carrie seguiu subindo vagarosamente pelas escadas desgastadas.
      O som ficava cada vez mais alto quanto mais a menina subia as escadas. Chegou finalmente ao andar de cima, onde deparou-se com um corredor escuro e estreito. Pensou em desistir e voltar por onde viera, mas algo a atraía para aquele lugar. Seus olhos encontraram a velha e desgastada porta de madeira do fim do corredor, onde encontrava-se a origem da melodiosa música.
       Ofegante, a menina continuou até parar em frente a tal porta. Ela a empurrou vagarosamente, espiando pelo canto do olho. O ruído cessou com a presença da menina e, olhando pelo quarto, Carrie soube que estava sozinha li. O silêncio estabeleceu-se, sendo cortado apenas por uma goteira no teto, que atingia o chão em intervalos de 2 segundos.
Estranhamente aliviada, a jovem garota deu de ombros e voltou-se para a saída do quarto, mas fora interrompida pela música que recomeçara, mas agora, acompanha por um ruído insuportável e irritante.  Carrie levou as mãos a seus ouvidos, como forma de proteger-se do alto som.
      Olhou relutante cômodo adentro,mas agora avistara uma boneca velha e horripilante sentada no parapeito da janela, encostada nos vidros embaçados.  Carrie soltou um grito abafado ao perceber o estranho aparecimento de uma poça de sangue no chão, próxima à boneca.
        Fotos de desconhecidos apareciam nas paredes do quarto ao redor de Carrie. Seus olhos arregalaram-se ao perceber a presença de fotos de sua família. Todas as fotografias possuíam um xis vermelho. A menina começou a sentir um forte ardor na região de seu ombro e, percebera que uma marca feita por seu próprio sangue começara a se formar.
         A dor impedia qualquer tipo de movimento e de ruído por parte de Carrie. Uma fotografia sua surgiu acima da boneca, enquanto o objeto abria um sorriso aterrorizante em direção à menina. O pânico havia tomado completamente o corpo da menina, a tortura fizera que esquecesse a dor e assim saísse as pressas daquele lugar. Enquanto afastava-se das proximidades do casarão, a menina, sem fraquejar, não se atrevera a olhar para trás.
         Chegando a sua casa, Carrie traçou-se em seu quarto, deixando-se cair em sua cama. Tentara entender o que havia acabado de ocorrer e assim, ela adormeceu tendo tais pensamentos.
        No outro dia, Carrie lentamente é acordada pelos raios de sol que entravam pela sua janela. Não demorou a lembrar do ocorrido do dia anterior e supôs que tivera sido apenas um sonho.  Rolou na cama e segui calmamente até o banheiro.
       Olhara de relance para o espelho e fora surpreendida ao ver que a marca em seu ombro encontrava-se intacta. Apavorada, Carrie saiu correndo por sua casa, procurando ajuda, mas nada. Vendo que ali não haveria ninguém, saiu de sua casa em disparada, a fim de encontrar alguém que pudesse oferecer-lhe ajuda ou até mesmo ajudá-la a entender, mas quando estava prestes a atravessar a rua, um carro em alta velocidade viera em sua direção, acabando com seu sofrimento.
       By: Valéria c.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Learning

       Esse ano que passara, aprendi coisas que não havia descoberto nos passados. Aprendi que nada é para sempre, porém aprendi a valorizar mais minhas amizades. Descobri que, nem tudo que falam é real e que não se deve acreditar em tudo que se ouve.  Aprendi a não me importar com tudo o que falam, afinal, nem todos são confiáveis. Aprendi a não seguir todos os conselhos que me dão, até porque, as pessoas possuem opiniões diferentes. Descobri que devo lutar pelo o que eu quero, e não esperar que as coisas aconteçam, contudo, descobri que devo largar certas coisas para que eu possa seguir em frente.  Aprendi que, algumas pessoas têm o poder de se tornar inesquecíveis, assim como, algumas só passam como um risco em nossas vidas.  Convivi com pessoas que me fizeram melhor, mas também, conheci pessoas que me corromperam.  Descobri quanto o amor pode ser perfeito, mas da mesma forma, descobri o quanto pode doer.  Percebi que nada acontece por acaso, ou pode até acontecer, mas, para todos os efeitos podemos tirar proveito, tanto por um erro, quanto por um acerto.  Aprendi que, a vida possui altos e baixos, e que não devo desistir por causa de momentos ruins, mas sim ter forças para continuar em frente.
(Valéria C.)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Contos de Russemontes - 8º História. final.

    O pôr-do-sol formava-se, belo e romântico, ao longe. Tons alaranjados preenchiam os céus e refletiam-se nas águas do lago Dupont. A relva existente às proximidades do lago era verde e aparada, porém não tão rala. Algumas árvores, altas e belas, compunham a paisagem.
     Sentado em um grosso galho da árvore, localizada às margens do lago, Hector observava a paisagem, porém seus pensamentos estavam longínquos, distantes. Seu olhar estava perdido em seus devaneios.
     -É Lindo, não acha? – Uma voz soou leve e doce.
     Hector reconhecera tal voz. Reconheceria em qualquer lugar. Ele, relutante, voltou seu olhar para baixo, onde, próxima ao lago, Rose focava sua atenção nas águas, azuis e resplandecentes, de Dupont.
      -O que fazes aqui? – Murmurou frio, contudo, tal frieza saíra forçada.
      -Quero saber, Hector. – Ela pronunciou leve, voltando seu olhar para o anjo. – Porque fizestes aquilo? – Questionou.
      -Eu já mencionei os meus motivos. – Apertou os cílios, respondendo, mas sem atrever-se a olhar para a vampira.
      -Não tente enganar-me. - Rose revirou os olhos, suspirando. - Pois o lado vencedor, visivelmente, não era o meu. – Encarou o amigo.
      Hector observou o horizonte alaranjado por alguns segundos, abaixou o olhar e soltou uma baixa risada, semelhante a um suspiro. Ele levantou a cabeça e, balançando a cabeça negativamente, encarou a vampira.
      -Quer, realmente, saber por que eu te ajudei? – Hector questionou, elevando o tom de sua voz, enquanto se punha de pé no galho da árvore e, pulando da mesma, dirigia-se em direção a rose. –Quer saber por que eu me exaltara, pela primeira vez na minha vida, daquela forma ao saber que, você, Rose, me traíra descaradamente?! – Ofegante, ele sibilou. – Quer saber o porquê de apenas um olhar seu causar-me sensações que, até então, eu não sentira?! – Aproximou-se mais da vampira, até que estivesse tão próximo da mesma, que suas respirações pudessem ser ouvidas e sentidas pelos dois. – Você é uma vampira... Tentei odiar-te com todas as forças, mas esse ódio não conseguiu suprimir, nem por um segundo – Ele hesitou, abaixando o olhar, mas expirou pesadamente, voltando a encarar os orbes negros a sua frente. -, a intensidade do meu amor por você.
      Incrédula e surpresa, Rose encarava o belo e charmoso anjo em sua frente. Pensara, por um momento, em desmentir e negar todas as palavras ditas por Hector, mas... Algo a privara das palavras. Na verdade, queria estar ali, embora não soubesse o porquê. Será que retribuía tais sentimentos? Mas Hector a tratava com tanto desprezo que ela não conseguira descobrir ao certo o que nutria pelo anjo. Mas eram, naquele momento, apenas hipóteses que rondavam a mente da jovem vampira.
      Hector entendeu o intenso silêncio de Rose como um estado de indecisão. E, então, para destruí-los, ele pousou delicadamente uma das mãos na nunca da sua amada, e tocou, levemente, seus lábios nos da vampira e, percebendo que a mesma não hesitara nem resistira, a tomara em um verdadeiro beijo.
        E, assim, qualquer risco de dúvida sucumbira naquele instante.
        - Somos totalmente opostos... – Rose murmurou temerosa.
        -Nem tanto. – Hector deu de ombros, abriu um pequeno sorriso de lado e encarou a vampira. – Ah, vamos lá. Você nem é tão demoníaca assim, e eu não chego perto de ser um anjo divino. – Finalizou debochado, arqueando uma sobrancelha.
       Rose soltou uma risada baixa e reconfortante. Ela, então, lançara um olhar furtivo a Hector.
       -Como... – Rose hesitou – Como foi que tudo isso começou? Esse sentimento? – Apertou os cílios.
       Hector encarou o nada em sua frente, com os pensamentos distantes, como se relembrasse o momento que buscava em sua mente e, começou a narrar:
       -Esse sentimento nascera desde aquele dia, no parque, onde nós nos conhecemos. Você acabara de se transformar em vampira e estava em prantos. – Hector abaixou o olhar. – Primeiramente, eu queria brincar com você, usá-la, apenas um jogo, abusar de sua fraqueza e ingenuidade; mas – Deu uma breve pausa, voltando a encarar algo a sua frente. – no momento em que encarei seus orbes, e pude usufruir daquele seu olhar desolado, tristonho, mas, ao mesmo tempo, carinhoso e confortador, eu senti meu corpo pesado, senti minhas forças se esvaírem. – Ele soltou uma risada leve, porém amargurada. – Depois, quando eu comecei a suspeitar dos meus sentimentos, tentei recusar essas sensações, me recusava a tornar-me tão vulnerável. – Olhou de soslaio para Rose. –Desde então, Minha meta principal tem sido tratar-lhe, em todas as situações, de forma fria, vazia e arrogante.
       -Nossa... – Rose murmurou.
       -O quê? – Hector virou-se para a garota.
       -Você era idiota naturalmente? Ou você se esforçava para tal? – Ela revirou os olhos, bufando.
      -Mas está tudo em ordem agora, certo?
      -Não tudo. – Ela encarou o anjo, deixando transparecer seu semblante de preocupação. – Prevejo problemas aproximando-se, Hector. Afinal, nosso relacionamento gerará confrontos e rivalidades, além de repreensões e advertências. Para todos os efeitos, eu continuo sendo uma vampira, e você, um anjo.
      -Eu sei. – Ele suspirou. – Mas regras foram feitas para serem burladas. – Hector abriu um descarado sorriso de lado.
      -O que estás pensando? – Rose questionou, erguendo as sobrancelhas.
-Você verá.
O amor nasce de forma imprevisível e surpreendente, não importa de quem se trata... se for verdadeiro, pode quebrar barreiras e superar obstáculos.
By: Valéria c.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Contos de Russemontes- 7º história. Parte 3

   [...]   -Sabes quais seres, em relação aos outros, são páreos para os demônios? –Uma voz questionou fria, porém protetora. – Os seres que apresentam mais chances de derrotar os demônios? – Aumentara o tom de voz, permanecendo a frieza. – Os seres celestiais, claro.
      -Hector – Vince pronunciou entre dentes, enquanto lançava um olhar fulminante para o Anjo. – O que fazes aqui? Agora quer ser um traidor universal? Não basta ter sido expulso dos céus e enganado o conselho para permanecer com suas asas? – Riu alto, porém forçado.
      -Não lhe devo satisfações. – Retrucou vago, possuidor de expressões vazias, encarando o líder demônio.
       Tal audácia provocou uma irritação sobrenatural em Vince. Sua pele começara a borbulhar e a queimar, enquanto a mesma derretia-se, revelando a verdadeira aparência de um demônio, aquela que despertaria os maiores pesadelos com um simples olhar.
      Chifres brotaram de sua cabeça, e escamas começaram a dominar o lugar onde anteriormente localizava-se sua pele. Seus olhos dilataram-se e, com uma cor amarelada, assemelhara-se a olhos de felinos, porém mais assustadores. Garras afiadas e gigantescas surgiram de seus antigos pés e mãos. Espinhos e espadas compuseram a escamas. Seu corpo demoníaco tinha o aspecto enojado, parecia ter sido banhado em sangue de unicórnio.
       Transformações, essas que não surpreenderam o Anjo. Ele observara, atento e ignorante, as bizarrices que aconteciam com o corpo de Vince.
       -Acabou? – Hector indagou, arqueando uma sobrancelha.
      Em resposta, o demônio soltou um alto rugido, que estremeceu toda floresta, fazendo com que vários pássaros fugissem.
     -É. Parece que acabou. – Ele suspirou, revirando os olhos e, assim, avançou contra Vince.
     A vantagem, visivelmente, estava ao lado de Hector. Era um lutador nato. Pensamentos precipitados aqueles que sustentavam o anjo como dono, apenas, de uma boa lábia, um controlador; mas isso, nem de perto, comparava-se a seus métodos de luta.  Sedutor e elegante, Hector brincava com Vince.
      Cansado de protelações. O enigmático anjo golpeara, com grande força, a face do seu adversário, e este fora lançado desacordado no círculo.
      -Apressem-se. – Hector ordenou, encarando-o os três seres malignos caídos na terra. – Eles acordarão a qualquer momento. – Explicou.
      Sophie e Gallowey entreolharam-se, e o segundo encontrava-se relutante em redimir-se, seguindo ordens de Hector; mas logo se pusera a continuar o feitiço com a herdeira.
      Uma intensa e grande chama vermelha começara a surgir ao redor do círculo, englobando os três demônios e, assim, eles foram sugados por alguma força inferior. Por hora, Russemontes estava a salvo de demônios.
     Os dois feiticeiros caíram desacordados no orvalho, devido ao cansaço proporcionado pelo imenso esforço. Rose correra em socorro da irmã e de Gallowey, ajoelhando-se perto dos mesmos. Aliviada, suspirou ao perceber que não corriam perigo. O ruído de passos, leves e firmes, denunciara à rose a fuga de Hector ao longe.
     -Espere! – Suplicou, levantando-se e indo ao encontro do anjo. Este interrompeu sua caminhada, mantendo-se de costas para Rose. Percebendo que conseguira a atenção, pusera-se a continuar. – Porque fizeras isso? O que te serves minha vida? Porque salvar-me? – Questionou, ofegante e depressa, temendo que Hector se fosse antes de ouvir suas perguntas. – E, afinal, qual era o seu lado realmente?
     Uma leve brisa atingira os dois, percorrendo por entre seus cabelos e suas vestimentas. A neblina espaçara-se, tornando o lugar mais nítido.
      Hector soltara uma risada baixa, meio forçada, mas ao mesmo tempo arrependido. Olhara de relance para trás... Para Rose, mas sem deixar que a mesma notasse.
     - Minha cara Rose – Indagou, frio. -, o meu lado é o vencedor. – Colocou as mãos nos bolsos. – Estou ao lado dos vencedores. Aliás, você está certa, sou um canalha. – Ele finalizara e voltara a seu caminho.
       Rose não acreditara, claro. Mas contentara-se com a resposta, por hora. Ela murmurou um inaudível: “Obrigada” e acompanhou Hector com o olhar até que este saísse de sua vista, sumindo na escuridão.
         By: Valéria c.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Contos de Russemontes - 7º História. Parte 2

       [...] Gallowey privara-se de retrucar, concentrando-se na luta a sua frente. Ele deslocara-se em uma velocidade impressionante, embora não se comparasse a dos demônios, fora o suficiente para alcançar o demônio ao lado direito de Vince e o encurralar, começando uma árdua luta. Gallowey sabia que era imprescindível o uso de luta corporal e, assim, chutes e socos viram-se presentes.
        Sophie percebera o primeiro passo dado por seu líder, e não tardou a juntar-se a ele, mas avançara sobre o maligno ser ao lado esquerdo de Vince. A luta da jovem herdeira divergia-se da luta de Gallowey pela ausência de toque corporal.  Não era possuidora, nem ao menos, de uma boa arte marcial, afinal, era apenas uma bruxa.
       Sobrara, então, para Rose o visível líder dos dois demônios anteriores, o qual chegara se pronunciando, Vince. Soubera de primeira que seria a pior luta, pegara logo o provável mais forte, mas a luta não estava perdida. Ela teria de abusar dos poderes amaldiçoados de vampiro que lhes foram concedidos.
        Rápida e cautelosa, Rose atacara Vince por trás, tentando lhe dá um soco, mas fora inútil, ele deslocara-se mais rápido, fazendo com que a vampira atingisse o ar e se desequilibrasse.
        Gallowey conseguira golpear seu adversário mortalmente, embora demônios fossem imortais, ele teria tempo de colocá-lo no círculo enfeitiçado, e assim o fez. Antes do mesmo conseguir colocá-lo totalmente na armadilha, o demônio feriu o mestre feiticeiro no ombro, abrindo um sério machucado, o qual sangrava e doía consideravelmente. Ele caiu nas raízes de uma árvore próxima, encostando-se em seu caule, enquanto tentava se recuperar para que conseguisse realizar o feitiço.
         Enquanto isso, Sophie arrancara a vantagem do demônio com quem lutava. Ele não transparecia ser forte e, muito menos, esperto. A herdeira, possuidora de grande habilidade, não tardara a prendê-lo no círculo, junto a seu companheiro.
        Tais vitórias interromperam a luta de Rose e Vince. Sentindo-se oprimido, o demônio lançara um olhar para as três presenças e adentrara na escuridão. Ofegante e cansada, Rose não tentara impedi-lo, por hora, seria melhor. Talvez, se a luta continuasse, ela não teria garantias de que venceria.
        -Devemos realizar o feitiço agora. – Gallowey balbuciou, levantando-se com dificuldade. - Os dois serão o suficiente. – Sibilou - Melhor do que nada.
        -Não parece estar em condições. – Sophie argumentou, enquanto apoiava o líder em seu ombro, ajudando-o a levantar. – Tentarei fazê-lo sozinha.
        -Mesmo que ousasse tal ação, é um feitiço que requer muito poder e – Ele retrucou com a respiração descompassada. -, mesmo que conseguisse, não tardaria a morrer.
         Sophie insistira, contudo, os argumentos de sua irmã e de seu líder a convenceram. Ela e Gallowey puseram-se em frente ao círculo e, com as mãos dadas e olhos fechados, começaram a recitar versos e palavras inteligíveis.
         Repentinamente, Sophie reabrira os olhos, arregalando-os, enquanto expirava pesado, como se possuísse dificuldades para respirar. Gallowey apertou os cílios e murmurou com o tom de voz baixo: “Premonição”
         Sophie Lançara um olhar furtivo para Rose e com uma expressão assustada, gesticulou um abafado:
        “Fuja”
        Preocupada e surpreendida, Rose voltara o olhar para trás e paralisara-se com o medo. Fora rápido quando Vince aparecera sorrateiramente por trás da vampira, pulando em sua direção, enquanto segurava uma estaca de madeira, cujo alvo era o coração de Rose. Mas, para desagrado do demônio, tal objeto pontiagudo não atingira seu objetivo. Inesperadamente,fora interceptado por algo, ou, alguém.[...]
         By: Valéria c.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Contos de Russemontes - 7º História. Parte 1

  
      Insuportável e alucinante. Aquele lugar despertava até os medos da criatura mais perversa. Noite de lua crescente. Apenas algumas estrelas dominavam os céus. Nuvens escuras e pesadas circulavam pelo céu negro, cobrindo, em alguns momentos, parte da lua, brilhante e longínqua.
       Discretas e cautelosas, Rose e Sophie davam passados curtos e leves na terra úmida e escura da floresta de Tissot. Árvores de grande porte dominavam aquela parte da floresta, assim como pequenos arbustos e tufos de grama. Encapuzadas, as irmãs ouviram passos pesados no orvalho, indicando a chegada de Gallowey.
       A floresta se inundava em uma escuridão intensa. As folhagens das altas árvores impediam a penetração de luz lunar no lugar, sendo iluminado apenas por raros e fracos riscos da luz. Tal iluminação dificultava a imagem nítida das personificações ali presentes.
       -Estão preparadas – A voz de Gallowey soou pesada e intensa.
       -Isso pareceu-me mais uma afirmação do que uma pergunta. – Sophie respondeu, enquanto arqueava uma sobrancelha e retirava delicadamente o capuz.
      -Claro que sim, jovem bruxa. Hoje não podemos usufruir de escolhas. – Gallowey respondeu convicto e assustador, enquanto abria um sinistro sorriso de lado. – E você. –Virou-se para Rose. – Estás preparada? Espero que não nos decepcione.
      O mestre feiticeiro pronunciou desafiador, porém desconfiado. Ainda possuía dúvidas em relação à ex-bruxa.
      -Eu já confirmei minha decisão. – Rose respondeu rispidamente, enquanto retirava o capuz, deixando transparecer sua desgosto. – Agora, se não acreditas, diga-me logo para que eu possa sair desse lugar macabro. – Séria, a vampira lançou um olhar afrontado para a figura adulta em sua frente.
       -Fora apenas uma pergunta. Trate-se de se acalmar. – Gallowey respondeu agressivo, mas mantendo o tom frio. Não ousava perder sua compostura autoritária. -Agora, pare de audácias. Já não a tolero.
        O clima entre os dois sempre fora pesado e confrontador. Desde a época em que Rose era uma bruxa, elas não dava-se bem com Gallowey, e o sentimento, do mesmo com a vampira, era recíproco. Quando Rose tornou-se um ser sanguinário, Gallowey fora o primeiro a votar por sua expulsão imediata de qualquer contato ou relação com bruxas e feiticeiros.
        -Como os demônios saberão que estamos aqui? – Sophie perguntou, cortando o ar pesado, que pairava entre a irmã e o mestre.
        -Eles estão caçando bruxas, em especial, você, devido seu dom. – Gallowey levantou o olhar, encarando algo longínquo. – Eles logo estarão aqui. Podem sentir nosso cheiro. – Fechou os olhos, inspirando certa quantidade de ar, deixando que percorresse, vagarosamente, por seus pulmões. – E, quando estiverem próximos, sentirei suas presenças. – Uma brisa percorreu por seus cabelos e esbarrou em sua pele ressecada, e então reabriu os olhos. – Pelo menos, é o que eu espero.
      Uivos ecoavam por toda a floresta. Mas desconhecia-se a origem de lobos. O vento, forte e agressivo, percorria pela vegetação, exaltando-as. Corujas e morcegos escondiam-se, em silêncio. Algo impedia-os de propagar ruídos. A tensão e horror formavam-se à medida que a lua atingia o centro do céu.
        A neblina tornava-se espessa e sufocante, indicando a presença de seres malignos, que propagavam o medo com a simples presença. Viajavam rápidos e invisíveis por entre as plantas e árvores.
       -Eles não tardaram a chegar. – Gallowey murmurou surpreso, dando dois passos para trás, enquanto pegava um recipiente transparente, o qual estava preenchido com uma substância esbranquiçada. Ele a espalhou, formando, por fim, um círculo. – Nosso objetivo – Ele voltou-se para as irmãs, indagando firme e controlador. – é guiá-los para o centro do círculo, e assim, eu e Sophie faremos um feitiço, que os mandara para o inferno.
       Rose e Sophie assentiram, e voltaram a atenção ao seu redor. Ruídos de folhagens locomovendo-se eram ouvidos por todo lado, mas os seres culpados            deslocavam-se em uma velocidade surpreendente e desumana, impedindo que suas localizações fossem denunciadas.
       -Ora, Ora, Ora... – Uma voz soou debochada e irônica, mas sua origem era desconhecida. – Vejamos o que temos aqui. Uma vampira e ex-bruxa, um mestre mago – Pronunciou com desdém – E... Ah, a tão rara, caçada por todas as criaturas, herdeira vampira.  – Seu tom modificara-se para um malicioso e aproveitador e, finalmente, aparecendo nas sombras, três figuras, aparentemente, humanas, aproximaram-se desafiadoras e confiantes.
       O líder feiticeiro logo descobrira que o tal demônio, o que encontrava-se no meio, tratava-se de Vince. Os dois localizados ao seu lado não puderam ser reconhecidos.
        Para todos os efeitos, as tais criaturas eram demônios. Preferiram um disfarce discreto, uma forma humana, vulnerável e, nenhum pouco, opressora, contudo, continuavam a ser os seres malignos e infernais de sempre. Olhos castanhos e olhos pretos, vestuário de mesma cor e pele pálida, essa era a aparência dos três.
 
          By: Valéria c.
Essa história é muito grande, então a dividi em partes.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Contos de Russemontes - 6º história

      Amanheceu em Russemontes. O céu, claro e azul, estava limpo. Sem nenhum sinal de nuvens. Ensolarado e calorento caracterizavam o dia na cidade.  Em um tempo como esse, poucas criaturas ousavam sair de suas tocas e esconderijos.
      Discreto, porém sedutor, Hector andava pela Avenida Giscard d'Estaing, onde, ao lado esquerdo localizava-se a praia de Chabrol. A paisagem, apaziguadora e reconfortante, parecia uma pintura. As águas do mar resplandeciam como diamantes. A areia, avermelhada e alinhada, não possuía poluição. Vários e diferentes bares dominavam a costa da praia, onde, também fora construído um grande e longo calçadão. Não havia a presença de muitas pessoas usufruindo do clima, mas, de certo modo, a quantidade chegava incomodar o garoto anjo.
      Seus olhos, azuis, reluziam com o simples reflexo de luz solar, assim como seus cabelos negros.  A brisa, amena e ao mesmo tempo aquecida, vasculhava por entre seus cabelos, bagunçando-os.
     Mas sua aparência dificultava sua discrição. Suspiros femininos propagavam-se por onde o jovem, cretino e arrogante, anjo passava. Olhares possessivos recaíam sobre ele, mas o mesmo, ignorante e frio, continuava a seguir seu caminho, com suas diárias expressões vazias.
     Inúteis e fúteis. Assim Hector caracterizava as Humanas, principalmente as jovens. Ele, muitas vezes, lançara olhares enojados e odiosos as suas admiradoras, mas não adiantava o esforço, elas continuavam a desejar o que elas, com certeza, nunca teriam.
     Andou cautelosamente até um beico mais afastado do intenso movimento da praia. Íngreme e estreito, o lugar impedia que a luz solar penetrasse, tornando-o, de certo modo, muito escuro. Devagar e atento, Hector entrou na pequena passagem sem saída. Avistou uma figura ao longe e aproximou-se rapidamente, prendendo a tal pessoa na parede.
      -Sua traidora. – Hector pronunciou entre dentes, enquanto suas mãos prendiam os pulsos de Rose na parede. - Você juntou-se àquela... Bruxa!
     -Do que está falando? – A vampira questionou abafadamente, apertando os cílios.
     -Não se faças de desentendida!– Ele soou cada vez mais forte, elevando o tom de sua voz. – Ontem, você encontrou-se com ela e seu clã de magos. – Pronunciou com desdém.
      -Hector, você está louco! -  Rose exclamou, tentando soltar-se.
      -Pare de negar! Eu sei.Tenho certeza. – Hector apertou mais forte os pulsos de Rose, fazendo com que a mesma soltasse um grito abafado de dor. – Eu infiltrei em você uma escuta. Descobri o que você fez, mas parece que você sabia, certo? Quando os assuntos importantes começaram a ser discutidos, o meu objeto, simplesmente, é destruído. – Murmurou pesadamente, enquanto encarava os orbes da vampira.
     Rose soltou ma gargalhada maldosa, mas ao mesmo tempo forçada.
    -Não és tão idiota como eu pensava. – Ela ergueu as sobrancelhas, deixando um sorriso cínico estampado no rosto. – Agora me digas, Hector. Como esperavas que eu confiasse em você, se nem ao menos confiava em mim?
    -Precaução. E parece que fiz certo. – Resmungou e lançou um olhar fulminante à Rose. – Como podes ter se juntado à Sophie? – Questionou, incrédulo. – Pensei que estavas esquecendo essa história de família. – Suspirou, recuperando a calma. – Rose, você não é mais uma bruxa! – Finalizou, abaixando o olhar. – Pensei que tivesse aprendido, afinal, há alguns dias, afirmou que vampiros eram seres sanguinários e demoníacos.
      -Hector, eu menti. – Rose pronunciou calmamente, encarando o anjo que a segurava. – Você sabe que eu não tinha motivos para confiar em você. Não tens um lado. Estás só brincando. Como eu podia saber se não estava planejando algo contra mim? – Perguntou, arqueando uma sobrancelha.
      -Depois do que aconteceu com você... – Furioso, Hector falou pausadamente. 
     Há seis meses, Rose conhecera, em sua visão, o estereotipo de companheiro perfeito. Na época, era uma bruxa ingênua e boba, não demorara muito a apaixonar-se pelo tal rapaz. Mal sabia que, como ela mesma, ele também escondia um segredo obscuro. Descobrira, da forma mais dolorosa, a verdade. Seu namorado era um vampiro. No primeiro momento, o amor já dominava todo seu corpo e sua alma, então, se propôs a guardar seu segredo, assim como, ele guardaria o dela. Mas não fora o que aconteceu.
     Um dia, o seu namorado a chamou para um encontro. Animada, ela obviamente aceitou, apenas não esperava que fosse traída da forma mais mesquinha e repugnante. O garoto a levou para um bosque escuro e deserto. Fora lá, então, que seu namorado a confessa que revelou sua identidade aos demônios e que, caso ele não a matasse, os próprios seres demoníacos e infernais a matariam, mas antes eles iriam esquartejá-lo. Implorando pela vida, Rose tentou fugir daquele lugar, mas fora inútil.
     Talvez, o jovem e egoísta vampiro a amasse de verdade, pois não a matou, ou pelo menos, não no pior sentido da palavra. Ele a transformou em um ser imortal e sanguinário. Como os demônios reagiram? Na verdade, não reagiram, para eles não importava, contanto que a menina perdesse o dom da premonição deixado como herança por seus antepassados.
     E assim, transformada em vampira, os poderes de bruxa foram anulados, e Rose ganhou a imortalidade, mas também, fora fadada a viver insanamente em busca de sangue. Agora, somente sua irmã, Sophie, possuía o tão almejado dom.
      Como decepcionara seus princípios de bruxa, Rose resolveu redimir-se, ajudando Sophie a lutar contra os demônios. Talvez, depois consiga viver sem o sentimento de culpa por ter abandonado a irmã nessa maldição de herança
      -Rose... – Hector pronunciou trêmulo, olhando para baixo e soltando aos poucos o pulso da vampira. – Espero que você apodreça no inferno por toda a eternidade. – Gritou, empurrando Rose contra a parede, e saiu andando em direção a saída do beico.
      “Não posso apodrecer no inferno, apenas seres possuidores de alma, mas eu não tenho”-Rose murmurou com tom de voz abafado e baixo, enquanto escorregava pela parede e sentava-se no chão, encostando a cabeça no muro.    
       By: Valéria C.